50 verdades sobre Fidel Castro
Publicado em Solidários
Posted: 01 Jan 2014 02:33 AM PST
O líder
histórico da Revolução Cubana marcou para
sempre a história de seu país e daAmérica
Latina, transformando a ilha em símbolo de
dignidade e de resistência
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Obra do artista cubano José Luis
Fariñas
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1. Procedente de uma família de sete filhos, Fidel Castro nasceu no dia 13
de agosto de 1926 em Birán, na atual província de Holguín, da união entre Ángel
Castro Argiz, rico
proprietário
de terras espanhol oriundo da Galícia, e Lina Ruz González, cubana.
2. Aos sete anos, ele se muda para a cidade de Santiago
de Cuba e vive na casa de uma
professora encarregada de educá-lo. Ela o abandona à própria sorte. “Conheci a
fome”, lembraria Fidel Castro e “minha família tinha sido enganada”. Um ano
depois, ele entra no colégio religioso dos Irmãos de la Salle, em janeiro de 1935,
como interno. Deixa a instituição para ir para o colégio Dolores, aos 11 anos,
em janeiro de 1938, depois de se rebelar contra o autoritarismo de um
professor. Segue sua escolaridade com os jesuítas no Colégio de Belém em
Havana, de 1942 a 1945. Depois de uma graduação brilhante, seu professor, o
padre Armando Llorente, escreve no anuário da instituição: “Distinguiu-se em
todas as matérias relacionadas às letras. Excepcional e congregante, foi um
verdadeiro atleta, defendendo sempre com valor e orgulho a bandeira do colégio.
Soube ganhar a admiração e o carinho de todos. Cursará a carreira de Direito e
não duvidamos de que encherá de páginas brilhantes o livro de sua vida.”
3. Apesar de se exiliar em Miami, em 1961, por causa das tensões
entre o governo revolucionário e a Igreja
Católica cubana, o padre Llorente sempre
guardou uma lembrança nostálgica de seu antigo aluno. “Me dizem: ‘o senhor
sempre fala bem de Fidel’. Eu falo do Fidel que eu conheci. Inclusive, [ele]
uma vez salvou a minha vida e essas coisas não podem ser esquecidas nunca”.
Fidel Castro se jogou na água
para salvar seu professor, levado
pela correnteza.
4. Em 1945, Fidel Castro entra na Universidade de Havana, onde cursa
a graduação de Direito. Eleito delegado da Faculdade
de Direito, participa ativamente das
manifestações contra a corrupção do governo do presidente Ramón Grau San
Martín. Não vacila, tampouco, em denunciar publicamente gangues vinculadas às
autoridades políticas. Max Lesnik, então secretário-geral da Juventude Ortodoxa
e colega de Fidel Castro, lembra-se desse episódio: “O comitê 30 de setembro
[criado para lutar contra as gangues] fez o acordo de apresentar a denúncia
contra o governo e os gângsteres no plenário da Federação Estudantil
[Universitária]. No salão, mais de 300 alunos de diversas faculdades se
apresentaram para escutar Fidel quando alguém [...] gritou: ‘Aquele que falar o
que não deve, falará pela última vez’. Estava claro que a ameaça era contra o
orador da vez. Fidel se levantou de sua cadeira e, com passo lento e firme, se
encaminhou ao centro do amplo salão, [...] e começou a ler uma lista oficial
com os nomes e todos e de cada um dos membros das gangues e dos dirigentes da
FEU que haviam sido premiados com suculentas ‘garrafas’ [cargos] nos distintos
ministérios da administração pública.”
5. Em 1947, aos 22 anos, Fidel Castro participa, com Juan Bosch,
futuro presidente da República Dominicana, de uma tentativa de desembarque da
[expedição de] Cayo Confites para derrubar o ditador Rafael Trujilo, então
apoiado pelos Estados Unidos.
6. Um anos depois, em 1948, participa do Bogotazo, revolta popular
desatada pelo assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, líder político progressista,
candidato às eleições presidenciais da Colômbia.
7. Graduado em Direito em 1950, Fidel Castro atua como advogado até
1952 e defende as pessoas humildes, antes de se lançar na política.
8. Fidel Castro nunca militou no Partido Socialista Popular (PSP),
partido comunista da Cuba pré-revolucionária. Era membro do Partido do Povo
Cubano, também chamado Partido Ortodoxo, fundado em 1947 por Eduardo Chibás. O
programa do Partido Ortodoxo de Chibás é progressista e se baseia em vários
pilares: soberania nacional, independência econômica pela diversificação da produção
agrícola, supressão do latifúndio, desenvolvimento da indústria, nacionalização
dos serviços públicos, luta contra a corrupção e justiça social por meio da
defesa dos trabalhadores. Fidel Castro reivindica seu pertencimento ao
pensamento “martiano” (de José Martí), chibasista (de Chibás) e
anti-imperialista. Orador de grande talento, se apresenta às eleições
parlamentárias como candidato do Partido do Povo Cubano em 1952.
9. No dia 10 de março de 1952, a três meses das eleições presidenciais, o
general Fulgencio Batista rompe a ordem constitucional e derruba o governo de
Carlos Prío Socarrás. Consegue o apoio imediato dos Estados Unidos, que
reconhecem oficialmente a nova ditadura militar.
10. O advogado Fidel Castro apresenta uma denúncia contra Batista
por romper a ordem constitucional: “Se existem tribunais, Batista deve ser
castigado, e se Batista não é castigado [...], como poderá depois este tribunal
julgar um cidadão qualquer por motim ou rebeldia contra esse regime ilegal,
produto da traição impune?”. O Tribunal Supremo, sob as ordens do novo regime,
recusa a demanda.
11. No dia 26 de julho de 1953, Fidel Castro se coloca à frente de
uma expedição de 131 homens e ataca o quartel Moncada na cidade de Santiago,
segunda maior fortaleza militar do país, assim como o quartel Carlos Manuel de
Céspedes, na cidade de Bayamo. O objetivo era tomar o controle da cidade –
berço histórico de todas as revoluções – e lançar um chamado pela rebelião em
todo o país para derrubar o ditador Batista.
12. A operação é um fracasso e 55 combatentes são assassinados depois de
brutalmente torturados pelos militares. De fato, apenas seis deles morreram em
combate. Alguns conseguiram escapar graças ao apoio da população.
13. Fidel Castro, capturado alguns dias depois, deve a vida ao
sargento Pedro Sarría, que se negou a seguir as ordens de seus superiores e
executar o líder de Moncada. “Não disparem! Não disparem! Não se deve matar as
ideias!”, exclamou para seus soldados.
14. Durante sua histórica alegação, intitulada “A História me
Absolverá”, Fidel Castro, encarregado de sua própria defesa, denuncia os crimes
de Batista e a miséria na qual se encontra o povo cubano, e apresenta seu
programa para uma Cuba livre, baseado na soberania nacional, na independência
econômica e na justiça social.
15. Condenado a 15 anos de prisão, Fidel Castro é liberado em 1955,
depois da anistia que o regime de Batista lhe concedeu. Funda o Movimento 26 de
Julho (M 26-7) e declara seu projeto de seguir lutando contra a ditadura antes
de se exilar no México.
16. Fidel Castro organiza ali a expedição do Granma com um médico
chamado Ernesto Guevara. Não foi muito trabalhoso para Fidel Castro convencer o
jovem argentino, que recordava: “O conheci em uma dessas frias noites do México
e lembro-me de que nossa primeira discussão foi sobre política internacional.
Poucas horas depois, na mesma noite — de madrugada — eu era um de seus futuros
expedicionários.”
17. Em agosto de 1955, Fidel Castro publica o Primeiro Manifesto do
Movimento 26 de Julho, que retoma os pontos essenciais de “A História me
Absolverá”. Trata de reforma agrária, da proibição do latifúndio, de reformas
econômicas e sociais a favor dos deserdados, da industrialização da nação, da
construção de habitações, da diminuição dos aluguéis, da nacionalização dos
serviços públicos de telefone, gás e eletricidade, de educação e da cultura
para todos, da reforma fiscal e da reorganização da administração pública para
lutar contra a corrupção.
18. Em outubro de 1955, para reunir os fundos necessários para a
expedição, Fidel Castro realiza uma turnê pelos Estados Unidos e se reúne com
os exilados cubanos. O FBI vigia de perto os clubes patrióticos M 26-7 fundados
em diferentes cidades.
19. No dia 2 de dezembro de 1956, Fidel Castro embarca no porto de
Tuxpán, no México, a bordo do barco Granma, com capacidade para 25 pessoas. Os
revolucionários são 82 no total e navegam rumo a Cuba com o objetivo de desatar
um guerra de guerrilhas nas montanhas de Sierra Maestra.
20. A travessia se transforma em pesadelo por causa das condições
climáticas. Um expedicionário cai ao mar. Juan Almeida, membro do grupo e
futuro comandante da Revolução, lembra-se do episódio: “Fidel nos disse o
seguinte: ‘Daqui não nos vamos até que o salvemos’. Isso comoveu as pessoas e
animou a combatividade. Pensamos: ‘com esse homem não há abandonados’. O
salvamos, correndo o risco de perder a expedição.”
21. Depois de uma travessia de sete dias, em vez dos cinco
previstos, no dia 2 de dezembro de 1956 a tropa desembarca “no pior pântano
jamais visto”, segundo Raúl Castro. Os tiros da aviação cubana a dispersam e 2
mil soldados de Batista, que esperavam os revolucionários, a perseguem.
22. Alguns dias depois, em Cinco Palmas, Fidel Castro volta a se
encontrar com seu irmão Raúl e com outros 10 expedicionários. “Agora sim
ganhamos a guerra”, declara o líder do M 26-7 a seus homens. Começa a guerra de
guerrilhas que duraria 25 meses.
23. Em fevereiro de 1957, a entrevista com Fidel Castro realizada
por Herbert Matthews, do New York Times, permite que a opinião pública
estadunidense e mundial descubra a existência de uma guerrilha em Cuba. Batista
confessaria mais tarde, em suas memórias, que graças a esse golpe jornalístico,
“Castro começava a ser um personagem lendário”. Matthews suavizou, entretanto,
a importância de sua entrevista. “Nenhuma publicidade, por mais sensacional que
fosse, poderia ter tido efeito se Fidel Castro não fosse precisamente o homem
que eu descrevi.”
24. Apesar das declarações oficiais de neutralidade no conflito
cubano, os Estados Unidos concedem seu apoio político, econômico e militar a
Batista e se opõem a Fidel Castro até os últimos instantes. No dia 23 de
dezembro de 1958, a uma semana do triunfo da Revolução, enquanto o Exército de
Fulgencio Batista se encontra em plena debandada, apesar
de sua superioridade em armas e
homens, acontece a 392ª reunião do Conselho de Segurança Nacional [dos Estados
Unidos], com a presença do presidente [Dwight D.] Eisenhower. Allen Dulles,
então diretor da CIA, expressa claramente a posição dos Estados Unidos. “Temos
de impedir a vitória de Castro.”
25. Apesar do apoio dos Estados Unidos, de seus 20 mil soldados e
da superioridade material, Batista não pôde vencer uma guerrilha composta de
300 homens armados durante a ofensiva final do verão de 1958, que mobilizou
mais de 10 mil pessoas. Essa “vitória estratégica” revela, então, a genialidade
militar de Fidel Castro, que havia antecipado e derrotado a operação Fim de
Fidel lançada por Batista.
26. No dia 1 de janeiro de 1959, cinco anos, cinco meses e cinco
dias depois do ataque ao quartel Moncada, em 26 de julho de 1953, triunfou a
Revolução Cubana.
27. Durante a formação do
governo revolucionário, em janeiro de
1959, Fidel Castro é nomeado ministro das Forças Armadas. Não ocupa a
Presidência, ocupada pelo juiz Manuel Urrutia, nem o posto de
primeiro-ministro, entregue ao advogado José Miró Cardona.
28. Em fevereiro de 1959, o primeiro-ministro Cardona, que se opõe
às reformas econômicas e sociais que considera demasiadamente radicais (projeto
de reforma agrária), apresenta sua demissão. Manuel Urrutia chama Fidel Castro
para ocupar o cargo.
29. Em julho de 1959, frente à oposição do presidente Urrutia, que
recusa novas reformas, Fidel Castro renuncia a seu cargo de primeiro-ministro.
Imensas manifestações populares têm início em Cuba, exigindo a saída de Urrutia
e o retorno de Fidel Castro. O novo presidente da República, Osvaldo Dorticós,
volta a nomeá-lo primeiro-ministro.
30. Os Estados Unidos se mostram imediatamente hostis à Fidel
Castro ao acolher com braços abertos os dignitários do antigo regime, incluindo
vários criminosos de guerra que tinham roubado as reservas do Tesouro cubano,
levando 424 milhões de dólares.
31. Não obstante, desde o princípio, Fidel Castro declara sua vontade de
manter boas relações com Washington. Entretanto, durante sua primeira visita
aos Estados Unidos, em abril de 1959, o presidente Eisenhower se nega a
recebê-lo e prefere ir jogar golfe. John F. Kennedy lamentaria o ocorrido:
“Fidel Castro é parte do legado de Bolívar. Deveríamos ter dado ao fogoso e
jovem rebelde uma mais calorosa acolhida em sua hora de triunfo”.
32. A partir de outubro de 1959, pilotos procedentes dos Estados
Unidos bombardeiam Cuba e voltam para a Flórida sem serem perturbados pelas
autoridades. No dia 21 de outubro de 1959, lançam uma bomba sobre Havana que
provoca duas mortes e fere 45 pessoas. O responsável pelo crime, Pedro Luis
Díaz Lanza, volta a Miami sem ser perturbado pela justiça e Washington se nega
a extraditá-lo para Cuba.
33. Fidel Castro se aproxima de Moscou somente em fevereiro de 1960
e apenas adquire armas soviéticas depois de os Estados Unidos rejeitarem fornecer
o arsenal necessário para a sua defesa. Washington também pressiona o Canadá e
as nações europeias solicitadas por Cuba com a finalidade de obrigar o país a
se dirigir ao bloco socialista e assim justificar sua política hostil em
relação a Havana.
34. Em março de 1960, a administração Eisenhower toma a decisão formal
de depor Fidel Castro. No total, o líder da Revolução Cubana sofreria nada
menos que 637 tentativas de assassinato.
35. Em março de 1960, a sabotagem, comandada pela CIA, do barco
francês La Coubre, carregado de armas no porto de Havana, provoca mais de cem
mortes. Em seu discurso em homenagem às vítimas, Fidel Castro lança o lema:
“Pátria ou morte”, inspirado no [lema] da Revolução Francesa, “Liberdade,
igualdade, fraternidade ou morte.”
36. No dia 16 de abril de 1961, depois dos bombardeios dos
principais aeroportos do país pela CIA, prelúdio da invasão da Baía dos Porcos,
Fidel Castro declara o caráter “socialista” da Revolução.
37. Durante a invasão da Baía dos Porcos por 1400 exilados
financiados pela CIA, Fidel Castro faz parte da primeira linha de combate.
Infringe uma severa derrota aos Estados Unidos e esmaga os invasores em 66
horas. Sua popularidade chega ao topo em todo o mundo.
38. Durante a crise dos mísseis, em outubro de 1962, o general
soviético Alexey Dementiexv estava ao lado de Fidel Castro. Conta suas
lembranças: “Passei junto a Fidel Castro os momentos mais impressionantes de
minha vida. Estive a maior parte do tempo a seu lado. Houve um instante em que
considerávamos próximo o ataque militar dos Estados Unidos e Fidel tomou a
decisão de colocar todos os meios em [estado] de alerta. Em poucas horas, o
povo estava em posição de combate. Era impressionante a fé de Fidel em seu
povo, e de seu povo, e de nós, os soviéticos, nele. Fidel é, sem discussão, um
dos gênios políticos e militares deste século.”
39. Em outubro de 1965, cria-se o Partido Comunista de Cuba (PCC),
substituindo o Partido Unido da Revolução Socialista (PURS), surgido em 1962
(que substituiu as Organizações Revolucionárias Integradas — ORI —, criadas em
1961). Fidel Castro é nomeado primeiro-secretário.
40. Em 1975, Fidel Castro é eleito pela primeira vez para a
Presidência da República depois da adoção da nova Constituição. Seria reeleito
até 2006.
41. Em 1988, a mais de 20 mil quilômetros de distância, Fidel
Castro dirige de Havana a batalha de Cuito Cuanavale em Angola, na qual as
tropas cubanas e angolanas infringem uma retumbante derrota às forças armadas
sul-africanas que invadiram Angola e que ocupavam a Namíbia. O historiadora
Piero Gleijeses, professor da Universidade John Hopkins, de Washington, escreve
a respeito: “Apesar de todos os esforços de Washington [aliado ao regime do
apartheid] para impedir-lhe, Cuba mudou o rumo da história da África Austral
[...]. A proeza dos cubanos no campo de batalha e seu virtuosismo à mesa de
negociações foram decisivos para obrigar a África do Sul a aceitar a
independência da Namíbia. Sua exitosa defesa de Cuito foi o prelúdio de uma
campanha que obrigou a SADF [Força de Defesa Sul-Africana, as então Forças
Armadas oficiais da África do Sul, por sua sigla em inglês] a sair de Angola.
Essa vitória repercutiu para além da Namíbia.”
42. Observador lúcido da Perestroika, Fidel Castro declara ao povo
em um discurso premonitório do dia 26 de julho de 1989, que, no caso do
desaparecimento da União Soviética, Cuba deveria resistir e prosseguir na via
do socialismo. “Se amanhã ou qualquer outro dia despertássemos com a notícia de
que se criou uma grande guerra civil na URSS, ou até se despertássemos com a
notícia de que a URSS se desintegrou [...], Cuba e a Revolução Cubana seguiriam
lutando e seguiriam resistindo.”
43. Em 1994, em pleno Período Especial, conhece Hugo Chávez, com quem
estabelece umaforte
amizade,
que duraria até a morte dele, em 2013. Segundo Fidel Castro, o presidente
venezuelano foi o “melhor amigo que o povo cubano teve”. Ambos estabelecem uma
colaboração estratégica com a criação, em 2005, da Aliança Bolivariana para os
Povos de Nossa América, que agrupa atualmente oito países da América Latina e
do Caribe.
44. Em 1998, Fidel Castro recebe a visita do papa João Paulo II em
Havana. Ele pede que “o mundo se abra para Cuba e que Cuba se abra para o
mundo”.
45. Em 2002, o ex-presidente dos Estados Unidos James Carter
realiza uma visita histórica a Cuba. Faz uma intervenção ao vivo pela
televisão: “Não vim aqui interferir nos assuntos internos de Cuba, mas estender
uma mão de amizade ao povo cubano e oferecer uma visão de futuro aos nossos países
e às Américas. [...] Quero que cheguemos a ser amigos e nos respeitemos uns aos
outros [...]. Devido ao fato de os Estados Unidos serem a nação mais poderosa,
somos nós que devemos dar o primeiro passo.”
46. Em julho de 2006, depois de uma grave doença intestinal, Fidel
Castro renuncia ao poder. Conforme a Constituição, é sucedido pelo
vice-presidente, Raúl Castro.
47. Em fevereiro de 2008, Fidel Castro renuncia definitivamente a
qualquer mandato executivo. Consagra-se, então, à redação de suas memórias e
publica regularmente artigos sob o título “reflexões.”
48. Arthur Schlesinger Jr., historiador e assessor especial do
presidente Kennedy, evocou a questão do culto à pessoa [de Fidel] depois de uma
permanência em Cuba em 2001. “Fidel Castro não incentiva o culto à [sua]
pessoa. É difícil encontrar um cartaz ou até um cartão postal de Castro em
qualquer lugar de Havana. O ícone da Revolução de Fidel, visível em todos os
lugares, é Che Guevara.”
49. Gabriel García Márquez, escritor colombiano e Prêmio Nobel de
literatura, é amigo íntimo de Fidel Castro. Esboçou um retrato dele e ressalta
“a confiança absoluta que desperta no contato direto. Seu poder é de sedução.
Busca os problemas onde eles estão. Sua paciência é invencível. Sua disciplina
é de ferro. A força de sua imaginação o empurra até os limites do imprevisto.”
50. O triunfo da Revolução Cubana no dia 1 de janeiro de 1959,
dirigida por Fidel Castro, é o acontecimento mais relevante da História da
América Latina do século XX. Fidel Castro continuará sendo uma das figuras mais
controversas do século XX. Entretanto, até seus mais ferrenhos detratores
reconhecem que fez de Cuba uma nação soberana e independente, respeitada no
cenário internacional, com inegáveis conquistas sociais nos campos da educação,
saúde, cultura, esporte e solidariedade internacional. Ficará para sempre como
o símbolo da dignidade nacional que sempre se colocou do lado do oprimidos e
que deu seu apoio a todos os povos que lutavam por sua emancipação.
Salim Lamrani é Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos,
professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas
relações entre Cuba e Estados Unidos.