O PSOL nasceu com as células cancerígenas petistas já em adiantado
estado de metástase. Mas a canibalização do debate interno (em torno
das candidaturas) não é efeito de comportamento aético ou do arrivismo
de grupos / frações.
A canibalização (funcional à forma como se dá o
debate) é em essência efeito de um debate que nasceu e se processa
pautado pelo democratismo, perversão antiga das democracias formais
que hegemonizam o entendimento vulgar do que seja a prática mais
avançada possível da representação política.
O PSOL cultiva internamente as ilusões de classe comuns ao tipo de formalismo
político burguês-liberal, reproduzindo, no microcosmo dos seus grupos,
a luta fraticida entre entre grupos, sob a aparência de que estes são
redutíveis necessariamente às ideias / interesses que postulam. Vê-se
que, no caso específico, os grupos se digladiam antes para controlarem
instâncias e processos burocráticos do que em torno de um projeto
calcado numa teoria e prática revolucionária.
Ter citado o partido bolchevique para efeito comparativo trata-se de "forçar a barra": no
caso russo havia uma luta político-ideológica que delineou uma
vertente de direita e o núcleo duro do partido leninista. Polos
irreconciliáveis. Se fosse o caso de aceitar a lembrança do exemplo
russo, teríamos que imaginar o perigo que passa o PSOL, pois
estaríamos aqui analisando o conflito entre os grupos sob o foco das
tendências à direita versus as tendências à esquerda.
Sendo fiel à nossa premissa, consideramos (por enquanto) que o conflito é efeito
das perversões do democratismo. O perigo é que o democratismo não
esgota a luta / debate político em si (antes, mascara-o), e, com o
tempo, o que é real e concreto, em termos das contradições que regem a
vida de qualquer instituição, aflora e exige que os atores políticos
se posicionem para além das aparências e ilusões das hegemonias
circunstanciais de grupos.
Quando essa hora soa, o que é concepção de direita ou de esquerda surge cristalinamente. Na verdade, o perigo quehoje passa o PSOL é ver confirmada uma hegemonia à PT (e aí,
desgracadamente, seus fundadores não terão "matado" ritualmente seu
pai). Se tal ocorrer, teremos um arremedo de PT, invejando o pai,
querendo reinventá-lo, mas inexoravelmente fadado a repetir a história
como farsa.
Um abraço. Saúde e paz.
R. Numeriano
(membro do CC e do CR-PE)
Postagem de Luiz Navarro que faz o seguinte comentário -
Concordo em genero, numero e grau. Parabéns pelo artigo.
terça-feira, 6 de abril de 2010
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