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Assassino de delegado que investigava morte de Teori frequentava mesmo clube de
tiro que Adélio e Carlos
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14 de maio de 2019
O clube de tiro
.38, na cidade de São José, na Grande Florianópolis, é um local peculiar.
Por lá – até onde
se sabe, apenas por uma enorme coincidência – passam figuras que acabam por ter
algum tipo de papel chave na história da República.
Conforme mostrou o DCM em reportagem publicada
na última segunda-feira, uma dessas pessoas é Adelio Bispo, que deu uma facada
em Jair Bolsonaro durante o período de campanha eleitoral.
Ele esteve no
local no dia 5 de julho de 2018, o mesmo dia em que chegou a Florianópolis, vindo
de Montes Claros (MG).
Estava
desempregado, mas arrumou dinheiro para ir treinar sua pontaria no clube, em
que as atividades não saem por menos de R$ 100 a hora. Depois, passou um mês na
cidade. A polícia nunca informou o que ele foi fazer lá.
Outros que
frequentam o local – e fazem e postam vídeos com os intrutores, utilizam os
dormitórios e instalações do clube – são os irmãos Carlos e Eduardo
Bolsonaro, como também mostrou o DCM na última terça.
Carlos, aliás,
tem o clube de tiro como seu lugar predileto para retiros espirituais, reflexões e fuga do
estresse gerado pela rotina política.
Dois dias após
Adélio ter ido treinar sua mira no clube, Carlos chegou ao local para mais um
fim de semana de descanso em meio às armas.
Mas não para por
aí a lista de frequentadores ilustres do .38. Outro que costumava treinar seus
dotes de atirador por ali era Nilton César Souza Júnior.
Ele é dono do
conhecido Nilton Dog, trailer de cachorro quente que vende a iguaria nas
versões salgada e doce (é isso mesmo) na avenida General Eurico Gaspar
Dutra, no Estreito, área continental de Florianópolis.
Conforme exibia
em suas redes sociais, com fotos e vídeos, Nilton tinha um hobby: o tiro
esportivo.
Era frequentador
assíduo do .38. Mas, as fotos foram retiradas das redes. Na verdade, seus
perfis em redes sociais foram todos apagados.
Foi uma decisão
aconselhada por seu advogado, desde que ele matou a tiros, em uma briga de
bar, Adriano Antônio Soares, então delegado-chefe da Polícia Federal em
Angra dos Reis.
Ele era o
responsável pelas investigações da morte do ministro do STF
Teori Zavascki, então relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal
Federal (STF).
A arma utilizada
tinha registro, seu proprietário sabia manuseá-la porque frequentava o clube
.38 e quem atirou primeiro foi o delegado de polícia.
Ou pelo menos
isso é o que disse o advogado do vendedor de cachorro
quente, na época do
crime, maio de 2017.
“A arma tinha CR,
que é o registro de circulação, ele praticava tiro esportivo na escola .38, em
São José. Sobre o ocorrido, tenho informação de que o primeiro disparo partiu
da arma da autoridade policial. Vamos esclarecer isso. Discutir quem deu causa,
a legitimidade e ver se ocorreram excessos de algum dos lados”, afirmou, à
época do crime, em maio do ano passado, Marcos Paulo Silva dos Santos.
Fatos e perguntas
Tudo isso, como
se disse, não passa de coincidências, mas são também fatos jornalísticos.
Ou não há
interesse noticioso em contar que a pessoa que deu uma facada em Jair Bolsonaro
esteve no clube de tiro que é o retiro espiritual de Carlos, que por lá esteve
dois dias depois?
Para que se
evitasse qualquer tipo de especulação, as autoridades que interrogaram Adelio
Bispo poderiam responder a perguntas simples, como o que levou Adelio a viajar
a Florianópolis, o que ele ficou fazendo por lá durante um mês, por que ele foi
no clube de tiro .38, quanto dinheiro ele gastou por lá e quem pagou, se ele
chegou a conhecer Carlos e se ele sabia que aquele clube era frequentado pela
família Bolsonaro.
Enquanto não se conhecer
a resposta para perguntas como essas, há espaço para muitos imaginarem que tudo
isso é mais do que só uma grande coincidência.
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