
Impostos são até 59,37% do valor do presente das mães
Mesmo com a expectativa de alta de até 30% nas vendas, lojistas apostam que entre hoje e amanhã o movimento no Centro seja maior
Conforme dados da pesquisa realizada pelo IBPT, a taxa tributária representa mais da metade do valor do presente requisitado pelas mamães.
A menos de 24 horas do Dia das Mães, é grande a corrida em busca do presente ideal. Mas se no passado era comum dar aventais e panelas para as mamães, hoje elas não abrem mão de ‘mimos’ mais elaborados, utensílios de beleza e inovações tecnológicas. No entanto, fazer a alegria das matriarcas vai pesar um pouco no bolso dos filhos e dos papais já que, pelo menos, 59,37% do preço das ‘lembrancinhas’ mais requisitadas é só de impostos.
De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), tudo indica que, este ano, dentre os produtos mais consumidos na data, o que está com maior incidência de impostos é o micro-ondas, com uma taxa tributária de 59,37%.
Para se ter uma ideia do impacto dos impostos no valor total do produto, um micro-ondas simples que hoje custa em média R$ 260 sairia a R$ 105,64, ou seja, menos da metade. E a diferença acontece também com vários outros produtos, como joias, cujo valor tem embutido 50,44% de imposto, por exemplo.
E, mesmo com a redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos, para ganhar a tão sonhada geladeira no seu dia, os filhos da aposentada Maria de Nazaré Alves, 78, terão de pagar 36,98%, do valor total do item, só de impostos. “Queria muito reformar minha casa, ganhar uma geladeira nova e até um colchão para colocar na minha cama. O meu está velhinho como eu”, conta. Maria já deu luz a 13 filhos, mas apenas sete estão ao seu lado. E, com o percentual de impostos embutidos no valor da geladeira, a aposentada acredita que será difícil realizar o desejo.
“A redução do IPI é uma medida benéfica para os contribuintes, mas é direcionada a apenas uma parcela da população. Como exemplo, no caso dos veículos, mas não são todos os contribuintes que têm condições de comprar um carro. Se o governo quisesse atingir toda a população, ele deveria alterar os também os tributos que incidem em todos os produtos, como o PIS, a Cofins e os incidentes sobre a folha de salários”, alertou o diretor técnico do IBPT, João Eloi Olenike.
O que elas preferem
A promotora de vendas Maria do Socorro Castro, 28, é mãe de três filhos, e amanhã deseja ganhar nada menos que um guarda-roupas novo. O ‘presentinho’ não é nenhum exagero, na opinião dela, e sim uma grande necessidade. “Tenho vontade de ganhar um novo porque o meu já está velho, e eu realmente estou precisando. Além disso, eu pago aluguel da minha casa e não tenho como comprar agora”, lamenta.
Um dos empecilhos para o desejo se realizar é a pouca idade dos filhos e a atual situação financeira. “Meu filho mais velho tem dez anos, o do meio tem nove e o caçula apenas três meses. São muito novinhos ainda, e sem possibilidade de me dar algo muito caro. No ano passado, por exemplo, ganhei apenas um conjunto de copos. Imagina este ano, que está tudo mais difícil”, brinca.
Muito vaidosa, a ambulante Eliete Santos não quer saber de artigos para a cozinha nesse Dia das Mães. “Panela eu já tenho, e quando preciso vou lá e compro”. Em datas tão especiais como essa a mãe exige presentes que lhe agradem e que ela possa usar de verdade. “Normalmente gosto de ganhar roupas, calçados, maquiagem, utensílios de beleza ou algo que vá me fazer bem. Mas este ano, quero ser presenteada com um aparelho de som moderno, pois o meu queimou”, afirma.
Andrés Pascal
Especial para o EM TEMPO
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