
O esforço de carregar as carteiras para fora acaba sendo compensador quando o objetivo é se livrar do calor infernal
Salas de aula sem quadro negro, fossa entupida, nenhum aparelho de ar-condicionado e uma temperatura sufocante. Esse é o cenário encontrado na Escola Municipal São Judas Tadeu, localizada no Km 30 da BR-174 (Manaus-Boa Vista). No local onde 188 crianças tentam uma vida melhor, a maioria é obrigada a deixar as salas de aula porque dentro delas o calor é tão insuportável que os professores preferem ministrar suas disciplinas sob a copa de mangueiras e jambeiros. Neste canto esquecido pelo Poder Público, a principal disciplina não é português ou matemática: é o “improviso”.
A Escola Municipal São Judas Tadeu “nasceu” com duas salas de aula para atender à demanda de colonos e demais moradores de parte da zona rural de Manaus. Foi construída por um sitiante da região e a prefeitura assumiu a estrutura fornecendo professores. Mas a participação da prefeitura nessa unidade se limitou a isso. Hoje, a escola permanece como foi entregue, salvo algumas alterações feitas pelos pais dos alunos.
A escola é toda em madeira e coberta com telhas de zinco, o que faz o calor dentro das salas de aula ser insuportável para crianças entre oito e 12 anos de idade. Cada sala tem dois ou, no máximo, três ventiladores, porém, a maioria é velha e tem pouca potência.
Com o aumento da demanda, a diretora da escola, Raimunda Pinheiro, teve de improvisar. Transformou a antiga cantina em sala de aula e pediu para os pais dos alunos colaborarem com a construção da “nova” secretaria de escola. Eles fizeram tábuas da floresta que cerca a escola e, com as próprias mãos, construíram uma pequena sala onde também deveria funcionar o mini-laboratório de informática, fechado porque o local não tem aparelhos de ar-condicionado, essenciais para evitar o superaquecimento dos computadores.
“Mandei um ofício para a secretária municipal Therezinha Ruiz, no início do ano, perguntando se podia. Ela me disse que já que a prefeitura não tinha condições de fazer a obra, que não haveria problemas em os próprios pais fazerem”, conta Raimunda.
Mesmo com essa mudança, a escola ainda não atendia a todos os alunos que a procuravam. A saída foi “jogar” alguns estudantes dentro da sala paroquial de uma igreja que fica ao lado. No local, crianças disputam o espaço com entulhos e fios desencapados ameaçam a segurança de todos.
Fonte:acrítica
Postado:Prof.Sérgio
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