
Uma Manaus nada moderna... e o governo do Estado diz que já gastou mais de UU$ 500 milhões com o Prosamim?
Quem passa pela avenida Lourenço Braga, a famosa Manaus Moderna, no Centro, não imagina que bem ao lado, nas margens secas do igarapé de Educandos, há um mundo completamente diferente da correria daquela área portuária. Há menos de seis meses, o lugar abrigava um outro cenário, cheio de barcos, e um cotidiano completamente diferente do visto em tempos de seca do leito do rio.
Mas para fazer parte deste mundo é necessário enfrentar 34 degraus inclinados em uma escada de madeira semipodre, que é a porta de entrada para a morada de, pelo menos, 20 famílias.
Pessoas que sobrevivem, na maioria dos casos, do rastro de poluição deixado com a seca dos rios, como a dona de casa Eunice Morais, de 32 anos, mãe de quatro filhos. Ela, as crianças e o marido, o catraieiro Mizael Gomes, 38, passam os dias percorrendo as margens em busca de garrafas pet para vender. Uma tarefa fácil devido à grande quantidade de lixo depositado no local. “Dá uma renda boa, afinal essa é a única forma de ganharmos dinheiro nesse período”, conta Eunice, que vende o quilo do plástico a R$ 0,50. “Aqui tem muito pet, aí fica fácil encher os sacos. Só em um dia conseguimos encher três sacos de 50 quilos”, diz Mizael, que aproveita a vazante para reformar a velha catraia e o pequeno barco, que serve de casa da família, hoje enchalhado no leito do igarapé.
‘Passage só R$ 1’
O local é um vaivém de pessoas. Sejam marceneiros em busca de barcos para reformar ou viciados que usam as embarcações abandonadas para se drogar. Mas o maior fluxo na área é, sem dúvida, motivado pela “pinguela” erguida pelo catraieiro Mauro Gomes de Matos, 51. Uma pequena ponte de madeira amarrada com cordas e fixada no leito raso do igarapé com finos troncos de árvores, que serve para a travessia entre o Centro e o bairro de Educandos, na Zona Sul.
A ponte é o ganha pão do catraieiro, que cobra R$ 1 pela travessia. “Na cheia eu trabalho como catraieiro aqui nessa área, mas quando o rio seca eu construo a ponte e passo o dia aqui controlando quem quer cruzar. Tem dias que dá para fazer de R$ 30 a R$ 40”, conta Mauro.
Rio está subindo
Mas logo o cenário dos moradores do leito do igarapé de Educandos vai mudar. É que, segundo eles, o rio Negro já está subindo. “Até o Natal tudo já estará alagado e aí a vida por aqui muda”, resume o vigia de barcos Francisco Bezerra, 59.
Fonte:acrítica
Postado:Prof.Sérgio
Nenhum comentário:
Postar um comentário