terça-feira, 27 de outubro de 2009

Hospital abandonado pelo poder público no Amazonas



Aposentada Maria José dos Santos tem uma cirurgia marcada para amanhã, mas não sabe se vai poder ser operada por conta da crise no HUGV


Quem foi ao Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) na manhã de ontem em busca de atendimento clínico ou cirúrgico, tratamento ou informações sobre cirurgias ficou do lado de fora da unidade, que ontem fechou as portas para o público por causa do feriado nacional do Dia do Funcionário Público, antecipado para funcionários federais de amanhã (28) para ontem sem que os pacientes fossem comunicados. Apesar da insistência de algumas pessoas, apenas familiares de pessoas já internadas puderam entrar no hospital, para fins de visitas. Todas as outras atividades foram suspensas e só devem ser normalizadas hoje.

A dona de casa Franciane Melo, 21, mora em Anori (a 200 quilômetros de Manaus), é portadora de Lúpus - doença em que a defesa imunológica desenvolve anticorpos que reagem contra os tecidos do próprio organismo - e realiza tratamento para a doença no HUGV a cada três meses, há mais de um ano. Ontem, depois de passar um dia inteiro viajando até chegar a Manaus e encontrar o hospital com as portas fechadas, só restou a ela ficar na cidade até hoje, quando vai tentar ser atendida novamente. “O feriado me pegou de surpresa, até porque hoje (ontem) não é feriado e não fomos avisados de nada. Aliás, o que se comemora hoje?”, indagou.

Com cirurgia marcada para amanhã, a aposentada Maria José Souza dos Santos, 67, também não sabia que o Dia do Funcionário Público estava sendo comemorado ontem no HUGV e foi até a unidade para se informar sobre a cirurgia de retirada de pedra na bexiga a que pretende se submeter, mas não conseguiu. “É um descaso total. Sequer informarem os pacientes sobre o feriado”, criticou. A aposentada relatou que a cirurgia dela, marcada inicialmente para o dia 21 de outubro, já foi adiada uma vez para o dia 28 e agora pode não acontecer. “Com as internações suspensas, disseram que a minha cirurgia está suspensa. Eu tenho crises de dor e, se depender do HUGV, morro esperando”, afirmou.

Outra pessoa que procurou o HUGV na manhã de ontem e voltou para casa indignada foi a pesquisadora Maria Luzia de Almeida Lemos, 36, que pela terceira vez tentou marcar uma microcirgia para a mãe dela, de retirada de um nódulo da tireóide. “Nas outras duas vezes, desisti depois de esperar por horas. A médica prometeu me atender hoje, mas com esse feriado acho difícil”, lamentou. De acordo com ela, o HUGV é a única unidade onde a mãe dela pode realizar a cirurgia gratuitamente. Na rede particular o procedimento sairia por mais de R$ 1 mil e ela não tem condições de pagar pelo serviço.

Maria Luzia informou que a mãe teve uma crise em setembro e, como a consulta marcada pelo SUS na época era para novembro, ela decidiu pagar R$ 200 por uma consulta particular. “Espero que a cirurgia não demore tanto quando a consulta, pois ela sente muitas dores”.
Fonte:acrítica

Postado:Prof.Sérgio

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