CAMPANHA EQUIVOCADA
Por HERMENGARDA JUNQUEIRA, em 23/4/2009.
Tomei um susto ao ler, ontem, no Diário do Amazonas, que a campanha “Orgulho de ser amazonense” custou mais de 18 milhões de reais. Nem tanto pelo valor numérico em si, embora considere um custo muito alto por um serviço, quando se sabe que faltam a inúmeros departamentos administrativos, ou setores importantes do governo, recursos necessários para um bom desempenho. Mas, especialmente, pelo objetivo da campanha e sua fundamentação, lamentavelmente equivocada.
Mídia institucional é importante, sim, mas desde que usada de preferência em função e a favor do povo. A campanha do orgulho não tem esse perfil. Pelo contrario, seu corolário ideológico é particularista e autoritário. E determinista. Quer ver? Tenho orgulho de ser amazonense porque tenho um governo que faz isso por mim...
Criar ou estimular na população sentimento de orgulho ufanista não passa pelo uso de critérios imperativos, impostos, mas, sobretudo, de critérios irredutíveis e não relativos. Simples: a cultura, a tradição, os costumes e tudo aquilo que a população conhece e reconhece como seus.
Por que as campanhas educativas se bem orientadas fazem sucesso e rendem resultados positivos? Porque dificilmente podem ser adesivadas com interesses particulares, portanto, itilitaristas... destinam-se, em ultima instancia, a um objetivo comum e coletivo. Valem pela sua importância absoluta.
Parece coisa complicada, mas não é. Alias, aparentemente é muito simples fazer publicidade. Mas publicidade não significa dizer que se devem excluir todas as implicações culturais, filosóficas, psicológicas que a “venda” do produto tem que ter e respeitar.
A campanha, pelo preço ostentado, deveria estar bombando. Não está. E se não está é porque não pegou...
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