terça-feira, 28 de abril de 2009

LULA PROMETE TERRA QUE O CONGRESSO AINDA NÃO LIBEROU

CAMPANHA EM MANAUS


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva veio fazer campanha em Manaus. Outra não pode ser a razão para tanta lingüiça, miolo de pote e enganação eleitoral. Ele disse tudo o que o povo quis ouvir mas não se fez acompanhar de medidas efetivas de condutas e atos para legitimar a prosopopéia. Disse, por exemplo, que a Amazônia não pode ser um "santuário da humanidade" e afirmou que seu governo está determinado a "legalizar" a região executando, em dois anos, o que não se fez nos últimos 50 anos na área de regularização fundiária. Pois é. Disse mas esta bondade depende de autorização e legislação do Congresso, coisa que sua base aliada depois de quase sete anos ainda não providenciou. E não há previsão para que isso aconteça.



Garganta profunda


"Nós vamos legalizar a Amazônia, que era chamada de "Amazônia Legal" apenas para efeito do mapa geográfico, mas, do ponto de vista da propriedade, não era". É claro que essa legalização é, por exemplo, uma medida voltada para conferir dignidade cívica, tributaria e creditícia aos cidadãos. Ocorre que os bancos simplesmente não existem no beiradão. O BASA só pela foto e Caixa e BB são meras ficções. O BB., o banco do Brasil que mais faturou em todo o continente no ano passado, cobra dez reais para qualquer operação de transferência entre os municípios. Se um pobre quer mandar R$ 50,00 para sua família em Santo Antônio do Içá. No Alto Solimões, ele tem que pagar R$ 10,00 ao BB, 20% de taxa de transferência. Sem a menor sombra de dúvidas a taxa mais cara dói mundo em cima de uma das populações mais esquecidas da face da terra: o ribeirinho do Amazonas.



Dinheiro emprestado


Lula participou nesta segunda-feira da entrega de 4.240 títulos a extrativistas e agricultores que residem em terras da União no Amazonas e que não podiam ser beneficiados com financiamentos bancários porque não eram proprietários dos terrenos onde moram. "Um cidadão que não tem um título não pode sequer pegar dinheiro emprestado", comentou Lula. "Outro dia entreguei títulos para Roraima. Nem a sede do governo era de Roraima. Ou seja, não se podia plantar nada porque as terras eram da União. Ô diabo! Se a União não mora lá, por que a União tem que ser dona das terras e não passa as terras para o setor produtivo?", indagou. Ele defendeu o manejo florestal e a comercialização de madeiras certificadas.



Fome e sede


Mas Lula não deve estar sabendo o que significa o fato da absoluta maioria dos municípios do Amazonas ficar debaixo d’água. A começar pela falta de água potável. Por irônico que pareça as enchentes trazem a fome e a sede. E não é R$ 300 reais que o governo do Estado começou a distribuir nesta semana em Borba que vão resolver o drama. Quando as águas baixarem ficará a lembrança sinistra dos vetores de varias doenças, entre elas a lepstopirose. A entrega de títulos definitivos de terra é fruto de convênios firmados entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto de Terras do Estado do Amazonas (ITEAM) mas não é fácil conseguir grana dos bancos oficiais. O cadastro que eles exigem nem as negas deles conseguem atingir os graus mínimos de credibilidade

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