domingo, 19 de julho de 2009

Amargo regresso ao que restou do lar



Bruno Kelly

A limpeza das casas começa a ser realizada pelos moradores, que revelam os prejuízos causados pela cheia histórica do rio Negro


A descida das águas da enchente começou oficialmente na semana passada e desde então famílias desabrigadas e aquelas que transformaram suas casas em marombas começaram o duro trabalho de retornar aos lares ou limpá-los.

O sentimento de apreensão, estresse e angústia sobre o que fazer domina quase todos que foram, em níveis diferentes, atingidos pelo flagelo da maior cheia dos rios da Amazônia em mais de 100 anos de controle hidrológico.

Desesperada com a situação em que ficou a casa em que vive com o marido, Flávio de Oliveira Souza, 30, e mais seis filhos no beco Boa Vista, em São Raimundo, zona Sul, a dona de casa Mirineide Cordeiro Santos, 32, diz que não sabe como vai viver com os prejuízos causados pela enchente.

“A casa cambou (tombou) para cima da casa do vizinho, está balançando muito e pode cair”, diz, revelando toda a tristeza de quem vive no local há 15 anos e nunca viu a água chegar perto do imóvel.

Mesmo com as condições precárias, Mirineide passou quinta-feira e sexta-feira preparando o retorno após passar quase um mês abrigada no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Madre Elísia.

Vizinha de Mirineide, a dona de casa Juceny Souza Guimarães, 42, conta que retornou na última segunda-feira, mas parte do imóvel, como o banheiro e a cozinha, ainda estão com água acima do assoalho.

“Pretendo sair daqui o mais rápido possível, não saio agora porque não tenho para onde ir e não tenho como pagar aluguel”, diz, apreensiva e como medo de uma nova enchente no próximo ano.

No mesmo beco a moradora Dina Silva Souza, 37, não teve que abandonar a casa porque o assoalho era bastante alto e não foi alcançado pelas águas do igarapé do São Raimundo.

“Não saí, mas tive que conviver com o fedor, a sujeira e os bichos”, conta. Sobre o futuro Dina Souza afirma que gostaria de deixar o local, mas não aceita sair para pagar aluguel. “Não dá para sair daqui, a casa fica na sujeira, mas é minha”, argumenta.

fonte:acrítica

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