Gilmar Mendes e os poderes republicanos
Em 2002, o jurista Dalmo de Abreu Dallari assim se manifestou sobre a indicação de Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal, feita por Fernando Henrique Cardoso:
Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. (...) o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país
Não apenas o nome de Gilmar Mendes foi aprovado pelo Senado (a mais alta câmara parlamentar, parafraseando Dallari), como desde 2008 o mais saidinho dos porta-vozes da direita assumiu a vaga de presidente do STF.
Mendes é latifundiário no Mato Grosso, de onde foi expelido para fazer carreira política e empresarial ao lado de gente como Daniel Dantas, e para engordar tremendamente o seu patrimônio através de contratos sem licitação com órgãos públicos.
Gilmar vem dando muitos presentes à burguesia brasileira. O último foi o fim da obrigatoriedade do diploma universitário para os jornalistas. O patronato festeja, simulando uma vitória da “liberdade de expressão”, quando na verdade terão muito maiores chances de pisar nos seus trabalhadores e rebaixar os salários. Terão mais liberdade para explorar seus empregados, sendo esta justamente a liberdade que os poderosos tanto buscam alargar.
Gilmar indiretamente ajuda o governo Lula, pois sendo tão ultraconservador e reacionário faz o Executivo parecer “progressista” e reformista. Mas a podridão política do Executivo é tão grande – vejam o último artigo do camarada Ivan Pinheiro - , que não há mais espaço para cavar contradições e atritos efetivos entre os três poderes da república brasileira.
Lula, Sarney e Gilmar - executivo, legislativo e judiciário - PT, PMDB e PSDB - são hoje a síntese do baixíssimo nível da política institucional brasileira, e estão todos presos por laços extremamente firmes na economia, na política e, pasmem, na ideologia.
domingo, 19 de julho de 2009
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