
A família Costa, ao longo de cinco décadas no Marapatá, já tem mais de 40 membros
Retirada de flutuante
Na última quarta-feira, 15, a aposentada Tereza Santos da Costa, 70, e todos os seus descendentes (nove filhos, 30 netos e 10 bisnetos) receberam a notícia de que estão “condenados” se retirar de onde residem e a não insistir em retornar ao local de onde serão retirados voluntariamente ou à força.
Ocupantes de 14 flutuantes na enseada do Marapatá, no Distrito Industrial, Zona Leste, membros da família Costa foram notificados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) a deixar o local onde - com exceção da aposentada e de alguns dos nove filhos -, moram desde que nasceram.
Intimada no dia 10 de julho, a Prefeitura de Manaus, por meio da Semmas, terá que concluir a retirada dos flutuantes existentes em toda a orla da cidade, conforme determinou a sentença do Juiz da Vara Especializada do Meio Ambiente e de Questões Agrárias (Vemaqa), Adalberto Carim Antônio, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), em 21 de dezembro de 2004.
Segundo a decisão judicial, decorrida de uma Ação Civil Pública do Ministério Público Estadual do Amazonas (MPE/Am), flutuantes sem o devido licenciamento ambiental, entre eles os 14 da família de dona Tereza, concorrem para a contaminação do rio Negro.
Banheiros
De acordo com a chefe de fiscalização da Semmas, Neucinda Fernandes, a situação dos flutuantes do Marapatá se agrava porque os mesmos ocupam uma Área de Proteção Permanente (APP). “Eles não têm banheiros químicos. É tudo jogado direto no rio”, comentou.
Morando desde 1953 no local, dona Tereza Costa diz que nem ela nem as famílias dos filhos têm para onde ir. “Moramos aqui há muito tempo. Meus filhos nasceram aqui. Estou velha, mas não sou como uma coisa que se joga fora”, reclamou.
Filhos e netos de dona Tereza se dividem nos 14 flutuantes. “As meninas foram casando e construindo outros (flutuantes) para morar com os maridos”, assim se deu o povoamento daquela área, segundo Tereza. “Mais de 40 pessoas moram aqui, entre irmãos, primos, netos e bisnetos”, contou Joelma da Costa Brasil, uma das netas da aposentada, completando: “Eu nasci e me criei aqui. Não fui nem para um hospital.”
acrítica
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