
Servidores querem plano de cargos e salários e melhores condições de trabalho para atender a população
Desempregado há seis meses, Vitor Hugo Rezende Carvalho, 28, tirou a manhã de ontem para dar entrada ao processo para obtenção de mais duas parcelas do seguro-desemprego, que foi ampliado de cinco para sete pelo Governo Federal. Mas encontrou a Superintendência Regional do Trabalho (SRT) fechada devido à paralisação nacional dos servidores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Hoje, as atividades voltam ao normal em todo o País.
Há um ano e meio o comando nacional vem negociando com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). O documento foi encaminhado ao Ministério do Planejamento, que deveria submetê-lo ao Congresso Nacional. O andamento do plano “emperrou, o que motivou a paralisação da categoria.
“São duas parcelas de R$ 742. Não dá para deixar de receber. Os funcionários me orientaram para retornar amanhã”, disse Carvalho. Questionado sobre a paralisação, o morador do bairro Cidade Nova 2 ressaltou que é um direito dos servidores reivindicarem por melhorias nas condições de trabalho.
Carvalho é parte das estatísticas da SRT, que realiza 1 mil atendimentos durante o dia. Entre os serviços prestados estão emissão de carteira de trabalho, registro profissional e abono salarial. Segundo o coordenador regional da paralisação, Joaquim Josué da Silva Rego, 50, o atendimento ao público foi todo suspenso e 90% dos servidores administrativos aderiram ao movimento. Os outros 10% permanecem com alguns serviços internos. “Deixaram de ser executados os registros profissionais e as emissões de carteira de trabalho, que somam juntos 400 pedidos. Os outros 600 são serviços diversos”, observou Rego. Há 25 anos atuando no setor público, o servidor reclamou que a defasagem salarial chega a 180%. Ele explicou que a última negociação foi feita em 2003. Na época, o reajuste acordado ficou em oito parcelas anuais de 6%, sendo 3% no mês de janeiro e a outra metade em julho, que até o momento não foi cumprido.
Os servidores reivindicam, de acordo com Rego, a exclusão da categoria da seguridade social, na qual estão inclusos os funcionários da previdência, saúde e trabalho. “Isso dificulta as negociações”, informou, acrescentando que seria formada outra categoria.
O superintendente da SRT, Dermilson Chagas, avaliou como legítima a paralisação. Ele disse, por exemplo, que a diária de um servidor para o interior é de R$ 70. O valor precisa ser administrado para gastos com alimentação, transporte e hospedagem.
Segundo ele, hoje, a SRT conta com 100 funcionários, entre terceirizados (transporte e limpeza) e servidores. “Iremos chamar mais três servidores, sendo um para Itacoatiara e dois para a capital. Todos são pessoas com deficiência”, salientou.
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