quarta-feira, 29 de julho de 2009

Contribuinte paga: "Deputados participavam de venda ilegal de bilhetes"


2010 hora da desratização

Empresário envolvido no esquema diz, em depoimento, que adquiria passagens com deságio dos gabinetes e as revendia


Empresário envolvido no esquema de comércio ilegal de passagens aéreas de parlamentares admitiu, em depoimento, que comprava os bilhetes diretamente de deputados.

Ouvido pela comissão da Câmara que investiga o caso, Pedro Damião Pinto Rabelo, dono da agência de viagens Morena Turismo, disse que adquiria o crédito para passagens com deságio de 15% a 25%. Depois, revendia as passagens a preço de mercado a seus clientes.

Rabelo não citou o nome dos parlamentares supostamente envolvidos. E disse que também negociava os créditos com servidores autorizados pelos deputados.

O depoimento, ao Departamento de Polícia Legislativa, figura num inquérito aberto em 2005. Segundo o relatório da comissão criada para apurar os casos, o esquema da Morena Turismo continuou em voga "com deságios ainda maiores, chegando a 35% do valor nominal".

O relatório detalha como funcionou o esquema em dois bilhetes emitidos - um em nome de Gilmar Mendes, outro de Eros Grau, ministros do Supremo Tribunal Federal.

Segundo a comissão, ambos foram vítimas do esquema, pois adquiriram os tíquetes em agências comerciais, sem saber que as passagens tinham sido desviadas.

"Os trechos de viagem foram pagos com MCOs (créditos) de parlamentares, mas o bilhete encaminhado às autoridades judiciárias, excelentíssimos ministros Gilmar Mendes e Eros Grau, foi adulterado para fazê-los crerem que o custeio havia sido feito com recursos de outra natureza", diz o documento.

As passagens de Gilmar (ida e volta entre São Paulo e Nova York) foram compradas em julho, na Mania Tour, em Brasília. O relatório diz que a agência procurou os serviços do agente Paulo César Pereira de Medeiros - que, por sua vez, deu dinheiro ao agente Vagdar Fortunato Ferreira, dono da Polo Turismo, para comprar créditos de bilhetes de parlamentares.

Os bilhetes usados por Gilmar saíram da cota de Paulo Roberto (PTB-RS) e Fernando Coruja (PDT-SC). Os créditos foram negociados com Ferreira pelos servidores dos gabinetes Luiz Gustavo Nogueira e Arquísio Bites Leão Leite, respectivamente. Ambos serão alvo de processo administrativo.

Os bilhetes usados por Eros Grau (trecho entre Brasília e Rio, ida e volta), saíram da cota do deputado Fernando de Fabinho (DEM-BA).

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