
Mercadante considera ?grave? nova denúncia e, em nome da bancada, pede investigação pelo Conselho de Ética
Na contramão da orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a bancada do PT no Senado voltou a pedir ontem o afastamento do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Diante dos diálogos divulgados pelo Estado, em que Sarney discute com o filho Fernando Sarney a contratação do namorado de sua neta na Casa, o líder Aloizio Mercadante (SP) emitiu nota na qual considera "grave" a revelação. Em nome da bancada, ele afirmou que o Conselho de Ética do Senado terá de investigar "com rigor a possibilidade de participação direta" do peemedebista na promulgação do ato secreto que serviu para concretizar a nomeação.
"É grave essa nova denúncia porque há indícios concretos da associação do presidente do Senado, José Sarney, em ato secreto de nomeação do namorado de sua neta", afirma o texto. "A bancada reafirma a sua posição de que o melhor caminho seria o pedido de licença da presidência da Casa por parte do senador José Sarney."
O afastamento do parlamentar chegou a ser defendido pelos petistas no início do mês, mas Mercadante e a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (SC), recuaram após Sarney ameaçar renunciar. A bancada então acabou sendo orientada expressamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a trabalhar pela permanência do peemedebista no cargo, de olho na garantia de apoio para a eleição de 2010.
O novo pedido de licença ocorre na mesma semana em que o próprio Lula intensificou esforços em defesa de Sarney. Na quarta-feira - dia em que o Estado revelou gravações da Polícia Federal que indicaram a prática de nepotismo pela família Sarney -, Lula disse ao novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que é preciso considerar a "biografia" dos acusados em investigações. No dia seguinte, foi mais incisivo. Ao comentar diretamente as novas revelações, afirmou que "não se pode vender tudo como crime de pena de morte".
A nota dos petistas, que também pede a investigação do vazamento das gravações, menciona a proposta dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF) de antecipar a próxima reunião do Conselho de Ética. A bancada "não se opõe à antecipação da reunião", desde que "asseguradas as exigências regimentais e a concordância e a disponibilidade de seus integrantes em período de recesso".
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