
MESTRINHO SERÁ VELADO NO PALÁCIO RIO NEGRO
O ex-governador Gilberto Mestrinho, que morreu esta manhã, será velado no salão nobre do Palácio Rio Negro, a partir das 16 horas. O enterro será na terça-feira. Ele deixa 14 filhos. Mestrinho estava internado no Prontocord há 18 dias.
Mestrinho esteve à frente do governo do Amazonas por três vezes - de 1559 a 1963, de 1983 a 1987 e de 1991 a 1995. Também foi prefeito de Manaus, deputado federal e senador.
O ex-governador elegeu-se prefeito de Manaus com 30 anos de idade. Cassado em 1964, foi anistiado em 1979.
Ao deixar o Amazonas, em 1964, perseguido pelos militares, a população de Manaus encheu o aeroporto da Ponta Pelada cantando: “Gilberto, não vá embora/fica comigo/ mais uma hora”.
Essa hora passou, Mestrinho retornou, como ele mesmo disse, anos depois, “nos braços do povo”. Mas essa canção ficou perdida no tempo com uma geração que, como ele, também passou. Mestrinho foi embora neste domingo e não retornará nunca mais.
A SAÚDE, OS TRAUMAS
No final dos anos 90 Gilberto Mestrinho foi submetido a um transplante de rins, doado por uma de suas filhas. Desde então sua saúde ficou debilitada.
Em 2006,o então senador passou pelo que chamou de “maior susto de minha vida”. No dia 18 de abril daquele ano sua mansão em São Conrado foi assaltada. Durante duas horas ele e sua mulher Maria Emilia foram torturados por 15 homens
"Queriam a combinação de um cofre, mas eu não me lembrava. Jogaram álcool na cabeça dela e um deles tentou acender um isqueiro para botar fogo, mas não conseguiu. Por sorte, outro pediu que parasse", contou o senador. Mestrinho contou que os assaltantes ainda deram dois socos e fizeram corte num dedo de Maria Emília
Noutra sala da mansão, onde Mestrinho se encontrava , eles disseram que haviam cortado os membros da esposa, o que o assustou ainda mais.
"Três apareceram com um lenço sujo de sangue, contando essa história horrível. Pedi para que parassem com a barbaridade", revelou Gilberto à imprensa
Mestrinho tinha ido ao Rio para fazer exames médicos.
Eles estavam assistindo televisão quando os (...) bateram na porta. Pensando que era um funcionário, abriram. "Disseram que, se falássemos alguma coisa, atirariam. E ameaçaram levar minha mulher. Fomos amordaçados, ficamos virados para a parede todo o tempo."
Esse foi um trauma que também passou, mas é o retrato assustado de um país violento. Mestrinho morre e deixa um vazio político, que o seu grupo não conseguiu preencher. Ou ninguém esteve à sua altura.
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