domingo, 9 de agosto de 2009

Corrupção faz a população de Coari sofrer!


Dinheiro farto em Coari contrasta com a pobreza

Município tem um dos mais elevados índices de pobreza do Amazonas e alta mortalidade infantil.



Município mais rico do interior do Amazonas, Coari recebeu nos últimos cinco anos e meio mais de R$ 700 milhões em verbas estaduais e federais, valor impulsionado pelos royalties do petróleo. Pano de fundo da guerra de liminares judiciais pelo comando da prefeitura, toda essa riqueza contrasta com os baixos indicadores sócio-econômicos da população caracterizados pelo elevado número de famílias em situação de pobreza, baixa qualidade do ensino e alto índice de mortalidade infantil.

Sem computar o valor dos convênios firmados com o Governo do Estado, cujos dados não são divulgados pela Internet, Coari, que possui 67.055 habitantes, totalizou repasses de R$ 719,7 milhões de janeiro de 2004 a julho de 2009, conforme informações do Portal da Transparência do Governo Federal e do site da Secretaria Estadual de Fazenda. Deste montante, 37,89% vieram da compensação paga pela Petrobrás pela exploração de gás e petróleo na base de Urucu.

Para se ter ideia da importância dos royalties no orçamento do município, no mesmo período Coari ganhou 184,7% mais recursos do que Tefé que conta com população de 64.703. Na comparação com o município mais populoso do interior do Amazonas, Coari também leva vantagem. Recebeu 114% a mais do que Parintins, que possui 105.742 habitantes. Enquanto o valor repassado a Tefé somou R$ 252,7 milhões, o de Parintins alcançou R$ 335,3 milhões.

Só de royalties Coari abocanhou R$ 272,7 milhões, valor bem próximo do que foi transferido para Parintins e superior a tudo que foi repassado para Tefé do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), SUS, ICMS, convênios federais e outros.

O que pode ser feito

Com a verba oriunda do petróleo daria, por exemplo, para a Prefeitura de Coari construir 60 escolas no padrão adotado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) composta por 12 salas de aula, laboratórios de informática e ciências e área de convivência, ao valor unitário de R$ 4,5 milhão.

A mesma quantidade de recursos seria suficiente para erguer 63 hospitais com 20 leitos, ao custo de R$ 4,3 milhões, equipado com estação geradora de energia, necrotério, lixeira. Segundo dados do IBGE, até 2005, Coari possuia 16 estabelecimentos de saúde. No ranking estadual perdia para Manicoré (28), Manacapuru (23), Itacoatiara (22), Barreirinha (21), Presidente Figueiredo (20) e Parintins (17).

Nos últimos cinco anos, a Prefeitura de Coari inflou o seu orçamento anual com cerca de R$ 200 milhões de repasses do ICMS, que foram subtraídos da cota de Manaus. De 2004 a julho deste ano, o Governo Estadual repassou ao município R$ 275,7 milhões. Destes, R$ 263,1 referem-se ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. No mesmo espaço de tempo, Tefé ganhou R$ 51,5 milhões, sendo R$ 48,7 de ICMS, e Parintins ficou com R$ 70,2, dos quais R$ 66,1 desse imposto.

Município no 5º lugar em pobreza

A riqueza produzida pela exploração do petróleo não gerou mudanças significativas na qualidade de vida da população coariense. Nos últimos dez anos, o município ganhou R$ 346,7 milhões da Petrobrás. E mesmo assim ocupa o 5º lugar, no Estado, em número de famílias na linha de pobreza.

O município possui 7.916 famílias cuja renda não passa de R$ 137,00 per capita mensal, de acordo com dados do cadastro do Programa Bolsa Família, publicados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). A renda per capita é um indicador que ajuda saber o grau de desenvolvimento de um lugar e é obtida pela soma dos salários de toda a população dividido pelo número de habitantes.

No caso de Coari, se cada família, por estimativa, for composta por quatro pessoas, significa que 47% da população, ou 31.664 habitantes, vivem em em situação de pobreza.

No ranking da miséria do interior do Amazonas, Coari só fica atrás de municípios com maior número de habitantes. Manacapuru é o terceiro colocado. Apresenta população de 85.279. E tem 8.819 famílias inscritas no cadastro do MDS. Itacoatiara, o segundo mais populoso, com 87.896 habitantes, possui 11.765 famílias pobres. Com população de 105.742, Parintins registra 12.490 famílias em condições de pobreza.

Fonte:acrítica

Postado:Prof. Sérgio

Nenhum comentário: