quinta-feira, 2 de julho de 2009

Conferência da ONU sobre a crise: qual o balanço

Os estudos preparatórios da conferência sobre a crise, promovida pela ONU, apresentam dimensões nunca vistas desde a Grande Depressão. O estudo da FAO identificou que o número de pessoas atingidas pela fome ultrapassou a marca de 1 bilhão e a Organização Internacional do Trabalho estimou que 200 milhões de trabalhadores poderão passar a uma situação de indigência e o aumento do número de desempregados pode chegar a 50 milhões este ano. A conferência deveria ser um marco na história da ONU, mas o projeto de documento final apresentou uma posição muito difusa. O artigo é de Douglas Estevam.

Douglas Estevam

"Não é humano nem responsável construir uma Arca de Noé que salve somente o sistema econômico imperante deixando a grande maioria da humanidade a sua propria sorte, sofrendo as nefastas consequências de um sistema imposto por uma irresponsável, ainda que poderosa, minoria."

A imagem foi evocada pelo padre nicaraguense Miguel d’Escoto, presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, no seu discurso de abertura da Conferência sobre a crise econômica e financeira mundial, realizada na sede da Nações Unidas no mês de junho, entre os dias 24 e 26. Um mundo destruído pelas forças da natureza não foi uma imagem utilizada em vão. Estima-se que a mudança climática pode resultar na eliminação de 30% das espécies vivas do planeta e produzir, na segunda metada do século, uma população de até 200 milhões de refugiados climáticos.

Escoto, que não nega a influência da Teologia da Libertação, sabe que a “mão invisível” que gerou a tormenta é indissociável da ação dos homens. Para reconstituir os capitais dos bancos, nacionalizar alguns estabelecimentos financeiros e garantir depósitos bancários e outros ativos financeiros, em sete meses foram utilizados 18 trilhões de dólares dos fundos públicos. Os estudos preparatórios da Conferência, apontando as primeiras consequências da crise, apresentam dimensões nunca vistas desde a grande Depressão. O estudo da FAO identificava que o número de pessoas atingidas pela fome ultrapassou a marca de 1 bilhão e a Organização Internacional do Trabalho – OIT estima que 200 milhões de trabalhadores poderão passar a uma situação de indigência e o aumento do número de desempregado pode chegar a 50 milhões este ano.

Esta Conferência seria um marco na história da ONU. A compreensão que norteava a ação de alguns dos seus membros mais combativos era de que esta seria uma ocasião para o mundo inteiro se posicionar, principalmente os países mais pobres, que não tiveram o direito de intervir nas decisões adotadas pelo G20. Escoto entendia que "nós temos a ocasião histórica e a responsabilidade coletiva de dar à ordem financeira e econômica do mundo uma nova estabilidade e uma durabilidade inédita". Sabendo do impacto maior que a crise provocará nos países mais pobres, os países do sul, ele entende que "esta evolução, que começaria a sondar a fratura entre Norte e Sul, exige a participação de todas as nações do mundo. Trata-se aqui de uma reunião do G-192 », em referência ao numero de países que compõem a Assembleia que poderiam influir, com uma representatividade sem paralelos entre as organizações internacionais, na elaboração de respostas à crise.

Fonte: carta Maior

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