
Brincadeira’ da ALE pesa no bolso do eleitor
Deputados estaduais “brincam” de nomear colega como secretário estadual dos Povos Indígenas, cujo titular será um indígena, escolhido pelo governador
Como se fossem adolescentes desprovidos de responsabilidade, brincando de “tirar sarro” com colegas de turma, deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado utilizaram papel, tinta de impressora e os serviços dos funcionários da Casa, pagos com dinheiro público, para escarnecer da criação da histórica Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Seind).
Na última quarta-feira, membros da Mesa Diretora do Poder concordaram em participar da zombaria envolvendo o deputado estadual Liberman Moreno (PHS) e assinaram indicação com o nome do parlamentar para a recém-criada Seind. O gracejo foi idealizado pelo deputado José Lobo (PCdoB), mas só prosseguiu porque contou com o apoio dos membros da Mesa, entre eles, o presidente da Casa, Belarmino Lins (PMDB).
A indicação de “brincadeira” ao governo do Estado, só desfeita quando o fato veio a público, além da assinatura de Belarmino Lins contou com a rubrica dos deputados Carlos Alberto (3º vice-presidente do Poder), Vicente Lopes (secretário-geral e presidente da Comissão de Ética), Sabá Reis (1º secretário), Conceição Sampaio (2ª secretária), David Almeida (3º secretário), Adjuto Afonso (Ouvidor) e Josué Neto (Corregedor).
A lista de assinaturas prossegue com as rubricas de Sinésio Campos (líder do PT e do governo), Wanderley Dallas (vice-líder do PMDB), Therezinha Ruiz (líder do DEM), Nelson Azêdo (líder do PMDB), Arthur Bisneto (líder do PSDB), Chico Preto (PMDB), Walzenir Falcão (PTB), Wilson Lisboa (PCdoB) e José Lobo, que assina o documento como “Odorico Paraguaçu”. Não seria mal se Lobo saísse da cena real parlamentar para ser prefeito de “Sucupira”.
A palhaçada com a criação da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas só não contou com o apoio dos deputados Marcos Rotta (PMDB), Luiz Castro (PPS), Ricardo Nicolau (PR), Ângelus Figueira (líder do PV), Vera Lúcia Castelo Branco (PTB) e Wallace Souza (PP), internado há 12 dias no hospital Prontocord. Ricardo Nicolau estava ausente. Os demais deputados não assinaram a propositura porque não concordaram com a pilhéria.
O “mal-entendido” na indicação de Liberman Moreno para a Seind só foi desfeito quando o próprio parlamentar, tratado como bobo pelos colegas, foi à tribuna da Casa, na quinta-feira, e em discurso inflamado, repudiou a atitude dos deputados. “Não mereço isso dos meus companheiros”, disse Liberman. Nem a sociedade merece.
Tempo para brincar
“Se sobra tempo para brincar, com certeza não estão trabalhando”, resume o cientista cocial Adelson Fernandes, mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). “Isso revela a crise da instituição, o nível dos nossos parlamentares, como eles abordam a política, a falta de compromisso e a banalização com a coisa pública. Se querem brincar, vão para o parquinho”.
ACRÍTICA
"PREÇO DA BRINCADEIRA"
A cota de benefício mensal que será concedida a partir de agosto aos membros do Legislativo Estadual será de R$ 22,8 mil, e não de R$ 19 mil, conforme havia dito, na tribuna da Casa, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), deputado Belarmino Lins (PMDB). O chamado “cotão” representará um gasto de R$ 547,2 mil por mês, ou R$ 6,5 milhões por ano, e reunirá todos os atuais benefícios concedidos aos deputados, como verba indenizatória e cota transporte.
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