quinta-feira, 2 de julho de 2009

Querida dos Pobres



Irmã Helena, rodeada por simpatizantes, chegou a ser presa quatro vezes por tomar a frente em invasões de terras




A celebração dos 50 anos de vida religiosa da irmã Helena Augusta Walcoltt, 74, ontem, no início da noite, na Capela Preciosíssimo Sangue, na Constantino Nery, bairro da Chapada, Zona Centro-Sul, foi um momento de emoção que reuniu religiosas da congregação das Adoradoras do Sangue de Cristo e amigos daquela que, na década de 80, comandou a ocupação de áreas que se tornaram bairros como Zumbi dos Palmares, São José, Novo Israel, Terra Nova, João Paulo 2º, entre outros, totalizando 17 ocupações.

A irmã, que foi presa quatro vezes e teve que sair do Estado em 1995 após seguidas ameaças de morte feitas por grileiros de terra, volta a Manaus para celebrar uma vida religiosa comprometida com os pobres. E diz que se precisasse faria tudo novamente.

Renovação

Na celebração, irmã Helena renovou os votos religiosos. Ela, que hoje mora em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus), era conhecida em Manaus como a “querida dos pobres” porque se misturava a eles. Quando foi morar na Compensa, trabalhava no Instituto de Amparo e Bem-Estar do Menor (Iabem) pelo Estado e na Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). Ali, realizava visitas à noite, procurando crianças vivendo nas ruas, atividade que a despertou para a necessidade de moradia das famílias.

Filha de barbadianos levados para Porto Velho com o objetivo de trabalhar na construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, irmã Helena começou a dar aula aos 18 anos de idade e, aos 21 anos, desejou entrar para a vida religiosa quando conheceu a discriminação racial. Por ser negra, só conseguiu entrar na congregação Adoradoras do Sangue de Cristo, quando foi trabalhar em Manacapuru e fez o curso do Instituto Superior Pastoral e Catequese (Ispac), quando sentiu a “iluminação” para trabalhar com os pobres.

O trabalho de ocupação, termo usado por ela em vez de invasão, começou na Compensa, Zona Oeste, no início da década de 80, no bairro onde, com organização, cadastramento dos sem-terra após visitas de membros da equipe da religiosa, ela conseguia selecionar aqueles que realmente necessitavam de um pedaço de terra, encerrando-se em meados da década de 90.

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