terça-feira, 14 de julho de 2009

Vice-Prefeito de Manaus acusado de pertencer a "Esquadrão da Morte"




Evandro Seixas

Na redação de A CRÍTICA, Edras mostrou os crachás do tempo em que trabalhou para os “irmãos coragem”


Depoimento bombástico


O soldado da Polícia Militar Edras Marques Sampaio, foi ouvido ontem pela primeira vez em juízo pelo promotor integrante da força-tarefa Alberto Nascimento Júnior e pelo juiz da 2ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), Mauro Antony. Além dele, mais cinco pessoas prestaram depoimento, o coronel Felipe Arce, os policiais militares Frank Alves de Menezes, Paulo Sérgio Gomes, Marcos Dantas e Marcelo Terças.

Ele confirmou o que já havia dito antes em depoimento prestado aos integrantes da força-tarefa e acrescentou novidades. Ele afirma ter visto o bilhete que o coronel Felipe Arce mandou para Raphael Souza, mandando “passar o sal” (assassinar) na juíza federal Jaiza Maria Pinto Fraxe. Edras também confirmou a existência de uma organização criminosa envolvendo Wallace Souza e seu filho, e a intenção do vice-prefeito Carlos Souza de matar José Roberto da Compensa.

Edras chegou ao Fórum Henoch Reis usando um bala-clave para esconder o rosto, um colete à prova de balas. Ele estava escoltado por policiais do grupo Fera. Mesmo sofrendo de esquizofrenia, Edras fez o juramento de praxe perante o juiz, comprometendo-se a dizer apenas a verdade. Antony disse que se deteve apenas aos assuntos relacionados ao tráfico de drogas e ao porte de armas.

O depoimento durou mais de três horas e, segundo o juiz e o promotor, foi considerado bombástico. Advogados de outros acusados acompanharam o PM aposentado.

Sobriedade

Mesmo sofrendo de esquizofrenia, Edras demonstrou sobriedade durante o depoimento e apresentou provas que serão anexadas ao processo, considera o juiz. “No meu entendimento Edras está consciente e prestou depoimento sob juramento. Se alguém achar que o que ele disse não tem nenhuma validade, que apresente o contraditório”, disse o Antony.

Segundo o promotor, várias denúncias feitas por Edras confirmam as do ex-PM “Môa”, como assassinatos, tráfico de drogas e porte de armas. Ele contou com detalhes casos de prostituição infantil que teriam sido praticados pelo deputado e seu grupo e afirma que os pistoleiros recebiam pela folha de pagamento da Assembleia Legislativa.

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