
Miria e seu pai, Cipriano Felipe, pagaram R$ 45 a um cartório de Parintins para conseguir o Registro Civil de Nascimento da adolescente.
MPF investiga cartórios
Se para uma parte dos brasileiros ser cidadão não implica em custos, para Miria Felipe Batista, 17, da etnia sateré-maué, a cidadania lhe custou R$ 45. Esse é o preço que os cartórios de Parintins cobram dos indígenas para expedir o Registro Civil de Nascimento, documento que, de acordo com a lei nº. 9.534/97, é gratuito a todos os brasileiros.
A denúncia de que os cartórios de Parintins e Barreirinha estariam cobrando para expedir o Registro Civil fez com que o Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) instaurasse, em abril, um inquérito civil público para apurar o caso.
“A assistente social da Funai de Parintins me contou, durante uma visita que fiz ao interior, que os cartórios estavam cobrando dos índios para expedir a primeira via do Registro Civil de Nascimento. Por lei, esse documento é gratuito a todos os brasileiros. Essa cobrança é criminosa”, diz a procuradora da República, Luciana Gadelha, responsável pelo inquérito.
‘Via Crucis’
A “via crucis” da cidadania de Miria começou no último sábado, 25. Ela e o pai, Cipriano Felipe, 64, - também indígena - embarcaram em um pequeno barco-recreio que percorre as aldeias do rio Andirá.
Foram mais de 36 horas até Parintins. A viagem custou R$ 80 a Cipriano, que recebe R$ 450 como aposentado. Sem dinheiro para hotel, a saída foi ficar “hospedado” no barco em que vieram, amontoados entre redes de dezenas de outros indígenas que, toda semana, chegam a Parintins para resolver problemas relacionados a documentos, pensões, aposentadorias e o recebimento do Bolsa-Família. Cipriano não é o único em busca de cidadania.
Ele e sua filha, porém, não sabiam que o documento era gratuito. “Ninguém me disse que era de graça. Quando fui ao cartório, me disseram que eu tinha que pagar. Todo mundo que vem tirar o papel tem que pagar. É de graça, é?”, perguntou Cipriano, incrédulo, numa mistura praticamente ininteligível de português e mawé, sua língua materna. A dificuldade de comunicação é um dos fatores que mais prejudicam os indígenas que vão às cidades da Amazônia à procura de documentos.
Crime no fórum
Os três cartórios de Parintins ficam dentro do Fórum Desembargador Vidal Pessoa. Lá, onde é proibido trajar bermudas e roupas informais, é permitida a cobrança ilegal pelo registro civil de nascimento.
Cobrança que para a escrivã Maria do Socorro Barros Barroso está sendo “mal-interpretada”. “Nós não cobramos pelo registro. Cobramos apenas uma taxa pelas certidões negativas para saber se aquela pessoa já não tem um registro conosco”, tenta explicar a escrivã.
Para a procuradora Luciana Gadelha, a explicação de Maria do Socorro não é desculpa. “Isso é uma forma de burlar a lei da gratuidade. Quando eles cobram pelas certidões negativas, o registro civil passa a não ser mais de graça”, argumenta.
A procuradora afirma que enviou um ofício, em junho, à Corregedoria do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), cobrando explicações. A Corregedoria é o órgão responsável pela fiscalização dos cartórios. Mais de um mês após o envio do oficio, porém, o TJAM não respondeu ao ofício
Prof. Sérgio
Um comentário:
Senhores,
É lamentável "Preço da Cidadania",
principalmente quando no interior do Estado do Amazonas o serviço é prestado por funcionário do Judiciário, portanto serviço prestado no FORUM LOCAL, sob a suposta fiscalização do PODER JUDICIÁRIO ( Juiz local e Tribunal do Estado), gostaria que esta materia fosse encaminhada ao Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas para as devidas providências para reiterar as minhas.Quanto elaboramos junto Secretaria de Direitos Humanos, Projeto Rondon, Universidade Federal do Amazonas e Arpen Brasil representante dos registradores o projeto do registro os indios já foi mencionado este abuso dentro da casa do Judiciário.
O funcionário aprovado em concurso publico para Escrivão Judiciário acumula as funções de registrador civil.
Portanto na qualidade do representante dos Registradores Civis do Brasil não acho justo que mais este onus venha a denegrir a imagem e a dignidade dos registradores da Capital Manaus e demais Estados onde se cumpre a lei da gratuidade mesmo sem o governo estaduais cumprirem a Lei federal da comprensação. Atenciosamente
Emygdio (011)8135-1616)
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