
Atualmente, em torno de 80% do custo de um empréstimo é atribuído ao spread bancário.
A taxa básica de juros da economia (selic) é a menor da história desde que foi estabelecida, em 1999. Tanto as empresas brasileiras quanto as pessoas nunca viram juros em patamares tão baixos, assim como um cenário econômico como o atual: crise econômica, juros baixos, inflação controlada, redução de impostos e uma série de outras medidas de estímulo à economia. Por que ainda não alçamos voo? Uma possível resposta pode estar no spread bancário. Esse instrumento do mercado financeiro age como forte barreira ao crescimento econômico. Os juros caíram em todas as pontas, mas o spread continua ainda muito alto.
O que é o spread
O spread é definido como a diferença entre a taxa de juros cobrada pelas instituições financeiras nos empréstimos e o custo financeiro de captação recursos. Ou seja, quando você investe em um fundo de investimento, CDB ou outro tipo de investimento qualquer, você está emprestando dinheiro ao banco e recebendo uma remuneração por isso. A sua remuneração é a taxa de juros de captação de recursos dos bancos. No caso de um CDB, por exemplo, o banco paga para você taxa de juros em torno de 0,7% ao mês. O mesmo banco usa o dinheiro que você investiu e o empresta a outra pessoa, a uma taxa de juros de 3,4% ao mês. Portanto, cobrou uma taxa de juros quase cinco vezes maior para emprestar o dinheiro. Essa diferença, 3,4% - 0,7% = 2,7% é o valor do spread bancário. No caso de empréstimos à pessoa jurídica fica em 1,5%.
Por que é tão alto
Os bancos justificam que esse elevado spread é utilizado para cobrir as despesas administrativas, operacionais etc. Entretanto, de acordo com os bancos, o maior culpado da elevada taxa de spread é o nível de inadimplência no Brasil, que é muito alto. Portanto, quanto maior for o nível de inadimplência, maior será o risco que os bancos correm de não receber. O aumento desse risco é repassado na taxa de spread. Em momentos de crise como o atual, naturalmente o nível de inadimplência irá subir e, junto, o spread. Por outro lado, há muita controvérsia no que diz respeito ao método de cálculo da taxa pelas instituições financeiras. Por essas e outras razões, o spread bancário no Brasil é um tema complexo de ser tratado, o que gera muita polêmica. O assunto tem chamado mais atenção recentemente por conta da elevação do spread em relação ao ano passado, enquanto que a taxa de juros está caindo como nunca.
Custo do empréstimo
A redução do spread é de extrema importância para a economia, pois afeta diretamente o sistema de crédito. As empresas precisam de crédito para movimentar suas operações e produzir a um preço menor. Na outra ponta, os consumidores precisam de crédito para consumir. Não basta apenas ter crédito disponível no mercado, mas este deve ter custo aceitável. É a partir deste ponto que tudo fica mais complicado. De acordo com dados do Banco Central, no ano 2000 mais de 75% do custo de um empréstimo era atribuído ao spread. Essa participação caiu um pouco em 2001, ficando em torno de 64%. Atualmente, está em torno de 80% e, para pessoa jurídica, próximo de 63%. Ou seja, o spread é o componente mais importante no custo dos empréstimos.
Contrapeso
Desde setembro o Governo já reduziu a selic em 67%. Na contramão, a taxa de spread sobe ininterruptamente. Em maio de 2008, a taxa para pessoa física era de 2,4% ao mês e em maio deste ano, a taxa estava em 2,7%, ou seja, aumento de 12,5%. Nessas condições, o estímulo dado à economia para superar a crise através da redução da taxa básica de juros acaba sendo anulado pelas elevadas taxas de spread. O Governo tem tentado encontrar soluções para esse problema, buscando formas de reduzir o spread a níveis ditos civilizados, semelhante ao de outras economias emergentes. Segundo um relatório técnico do Senado, “o spread é alvo de muita controvérsia e visto como um dos principais obstáculos à expansão do crédito e ao aprofundamento do sistema financeiro, bem como fator limitador do desenvolvimento do País”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário