domingo, 5 de julho de 2009

¨Luz para todos¨ chega ao Tupé com baixa qualidade



Moradores comemoram a chegada da energia, ainda que não possam ligar todos os aparelhos em casa



“Falta agora uma energia de qualidade para todos”. Com essa frase, o agricultor Raimundo Ferreira Sampaio, 46, resume o sentimento dos moradores da Agrovila, uma das três comunidades situadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé que receberam a energia elétrica do programa “Luz para todos”, do Governo Federal. A reserva do Tupé, que fica a 25 quilômetros da área urbana de Manaus, tem o total de seis comunidades.


Contente em ver as filhas usando computador em casa, Raimundo disse que a energia chegou depois de anos de espera e muitas promessas, e apesar de ficar feliz em dizer que hoje já dá para refrigerar o açaí e outras frutas da sua produção, reclama que a distribuição da energia depende de muitos reparos, uma vez que ela não o atende a contento, e afirma que a comunidade ainda não sabe a quem recorrer. Na Agrovila, segundo o agricultor, a rede elétrica foi instalada em novembro do ano passado pela antiga Manaus Energia, hoje Amazonas Energia.


Mas antes os moradores ficaram entre as discussões da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e os responsáveis pela instalação da rede, uma vez que a reserva é uma unidade de conservação sujeita a um conjunto de leis federais que proíbe a derrubada de árvores. “Cansados de muitas promessas de candidatos em tempos de eleição, nós nos juntamos com o presidente da comunidade e fomos fazer um protesto na Semmas, porque ela era que tinha que dar a licença ambiental”, disse Raimundo Sampaio.


De acordo com o comerciante Rosildo Lobato Almeida, 38, a energia distribuída na Agrovila é fraca e há quatro meses tem três transformadores queimados na rua Curió. Ele conta que, hoje é possível vender frango congelado no seu comércio, mas para o freezer funcionar o comerciante não pode ligar muitos aparelhos na sua casa. “Antes, com o gerador de luz dava para gelar mal o refrigerante. Agora dá para vender até frango congelado. Mas, se a energia fosse melhor eu poderia ligar o meu outro freezer, que está parado”, afirmou.


O aposentado Milton Marinho Afonso, 74, vive há 13 anos na Agrovila. Ele lembra que por muitos anos o povo da reserva alimentava a esperança de ter energia elétrica para tomar pelo menos uma água gelada e poder jantar sob uma lâmpada. Mas, segundo ele, para a boa nova dar certo na comunidade ele afirma que foi preciso alguns vizinhos juntar recursos do próprio bolso para contratar um serviço de um eletricista de Manaus para ajustar os transformadores. “Nós mesmos tivemos que pagar um rapaz para ajeitar o transformador”, disse o Milton Marinho.

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