domingo, 21 de junho de 2009

Oligarquia escraviza no Amazonas a mais de meio século



A humilhação de andar de cócoras


A diarista Nazilde relata a dificuldade que é ter de andar de joelhos diariamente dentro de casa e fazer todos os afazeres domésticos nessa posição



A CRÍTICA


Imagine ter que todos os dias executar alguns afazeres domésticos, como lavar roupas, por exemplo, num espaço de pouco mais de um metro de altura e, na maioria das vezes, agachado ou de joelhos! Pois é assim que boa parte das mais de 16 mil famílias afetadas pela cheia deste ano está vivendo. O avanço das águas, seguida da construção de marombas dentro das residências - a maior parte de madeira -, fez com que o espaço entre o chão e o teto fosse diminuindo, obrigando as pessoas a readaptarem sua rotina.

Esse é o caso da família da diarista Nazilde Marques da Costa, 42, moradora do beco Antônio Bittencourt, no bairro da Glória, Zona Oeste. A casa de madeira de dois pisos abriga a quarta maromba, onde ela e os filhos, com idades de 16, 19, 24 e 20 anos se veem obrigados a “andar” de joelhos diariamente.

“Tivemos que aprender a engatinhar de novo”, desabafa. No piso inferior da residência de madeira, entre a maromba e o teto, há um espaço de, aproximadamente, um metro, que antes da cheia abrigava a sala da casa. Afora alguns itens da mobília que se perderam com a enchente, o banheiro da casa também não existe mais. Enquanto as roupas são lavadas na pia da cozinha, as refeições, quando não são feitas no fogão de duas bocas - emprestado, por sinal -, são compradas. “Só ganhamos as tábuas da prefeitura porque fomos atrás. O resto tivemos que arrancar da própria casa para poder fazer as nossas marombas”, declara.

Perigos

Não muito diferente é a residência da dona de casa Maíza Eliana de Oliveira, 25, na comunidade do Bariri, Zona Centro-Sul, onde a terceira maromba foi erguida. Grávida de seis meses, ela informa que no local moram ela e mais outras 14 pessoas, entre filhos, irmãos, sobrinhos, e demais parentes. Assim como na casa da diarista, na residência de Maíza, as pessoas também já estão “andando” de joelhos pelo interior do imóvel. “Na quarta-feira (dia 17) uma jibóia invadiu a nossa casa, ninguém mais dormiu, com medo”, relatou, enquanto participava da manifestação, no último dia 18, que resultou na interdição da avenida Kako Caminha.

Situação semelhante está sendo vivenciada pelo casal Miriam Aquino, 28, e Aldenor Honorato, 30. A casa de um único compartimento pôde comportar apenas uma maromba, restando para o casal e os três filhos - com idades de 2, 5 e 7 anos -, um espaço de um pouco mais de um metro e meio, entre o chão e o teto.

“Fizemos apenas uma maromba na nossa casa e daqui não temos mais para onde subir”, salienta Miriam. Segundo ela, as filhas de 2 e 5 anos de idade já teriam caído nas águas poluídas do beco, quando se dirigiam para a creche.

** Essa situação simboliza a realidade dos Amazonenses a mais de meio século,o povo andando de joelho implorando, mendigando beneficios que na realidade é um direito constitucional (SAÚDE,EDUCAÇÃO,MORADIA,SEGURANÇA,ESPORTE,LAZER...)quando os amazoneses vão se libertar desse jugo que vem aflingindo nosso povo. Chega em 2010, é o monento de mudança e de libertação dizendo NÃO aos forasteiros que estão oprimindo a população.

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