
Corrupção quer calar Ministerio Público no Amazonas
Presidente da Conamp, José Carlos Cosenzo, afirma que legislação que rege orçamentos de instituições precisa mudar para evitar interferências
A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) taxou de “tentativa de mordaça” a iniciativa da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) de propor a redução do orçamento do Ministério Público Estadual (MPE) de 3% para 2,5% do orçamento geral do Estado. O assunto repercutiu entre membros de MPs de todo o Brasil, que participaram, esta semana, do II Congresso do MP do Amazonas.
O encontro serviu para que promotores e procuradores discutissem, entre outros temas, formas de aperfeiçoamento da autonomia financeira dos Ministérios Públicos em todo o País. Para o presidente da Conamp, José Carlos Cosenzo, a ameaça da ALE-AM é uma mostra de que a legislação que rege os orçamentos das instituições precisa mudar, para que os MPs não fiquem suscetíveis a interferências externas. “Deputados descontentes com o trabalho desenvolvido pelo MP querem manietar, amordaçar as atividade do Ministério Público. A Assembleia Legislativa tem que estar ciente que todas as vezes que age dessa forma está prejudicando o povo”, declarou ele.
Cosenzo afirmou que a Conamp move Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a constitucionalidade da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A entidade é contrária à limitação em 2% da Receita Líquida dos Estados para gastos com pessoal nos MPs. “Esse percentual, para São Paulo, é muito, mas para Estados como o Amazonas, de dimensões continentais, é muito pouco”.
A Conamp defende que cada Ministério Público Estadual produza seu próprio planejamento de gastos, dentro de suas necessidades e da capacidade orçamentária do Executivo. José Carlos Cosenzo informou que a ação ‘dormita’ no STF desde 2001 e está, atualmente, nas mãos de um terceiro relator, depois da aposentadoria de dois ministros.
Congresso
O presidente da Conamp elogiou a realização do II Congresso do MP do Amazonas. Segundo ele, o encontro alcançou a todos os objetivos pretendidos. José Carlos Cosenzo afirmou que entre as discussões do congresso ficou decidida a criação de uma ferramenta, por meio da Internet, para que os membros dos Ministérios Públicos acompanhem as ações desenvolvidas pelos colegas, em todo o Brasil. “Tínhamos uma atuação marcadamente individual, que queremos transformá-la em ação hegemônica e coletiva”, sustentou.
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