
Ameaça de fogo
Prazo para a saída de invasores vence às 16h. Quinhentos e sete índios estão no local e mais 500 devem chegar hoje
As lideranças indígenas que mantêm a ocupação da sede da coordenação regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Manaus, anunciaram ontem que estão dispostas a incendiar o prédio caso não tenham as suas reivindicações atendidas. Elas pedem a substituição do coordenador da Funasa Pedro Paulo Coutinho, e a indicação de Zenilton de Souza Ferreira, da etnia mura, para o lugar de Radamésio Velasques de Abreu, que também é indígena, na direção do Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus (Dsei-Manaus).
A ameaça pode ser concretizada até às 16h de hoje, quando vence o prazo estipulado pela Justiça Federal para que haja a desocupação do prédio. Segundo o cacique Antônio Mura, 507 indígenas de 20 municípios do Estado já se encontram no interior da fundação, dispostos a resistir ao cumprimento da reintegração e até morrer em confronto com a polícia. Eles alegam que, pela causa da saúde indígena, irão até às últimas consequências. Armados com lanças, porretes, arcos e flechas, eles afirmam que lá estão 120 crianças e 200 mulheres.
Outra liderança, Xena Cocama, fez críticas à atuação do Ministério Público Federal e à Polícia Federal no caso. “O MPF e a PF não estão fazendo valer a Constituição Federal. Vão nos obrigar a sair daqui quando o que estamos pedindo é que o órgão federal atenda a uma reivindicação nossa, que também somos federais, pois guardamos as florestas que são patrimônio da União”, afirmou o líder cocama. Ele ameaçou convocar madeireiros para fazer a retirada de madeira das reservas indígenas, como forma de obter recursos para as comunidades indígenas. “Não temos saúde e a única forma de conseguir recursos vai ser vendendo a madeira das áreas”, afirmou.
Ele disse, ainda, que aguarda para hoje reforço com a chegada de mais 500 indígenas ao prédio da Funasa. Eles mantêm o controle de quem entra e sai do prédio. Ontem, a ocupação completou 14 dias.
A reintegração de posse foi determinada pela juíza federal Ana Paula Serizaw. A intimação que determina a reintegração de posse foi dada na última sexta-feira, 20, por volta das 16h, por oficiais da Justiça Federal, que foram ao local acompanhados por policiais federais. Pela decisão, os indígenas terão, a contar da data da intimação, 72 horas para sair do prédio. “Em nome dos 12,8 mil indígenas da região do Médio Solimões, vou queimar a Constituição Federal se houver qualquer tentativa de retirada à força de nossa gente desse local, sem que nossas reivindicações sejam atendidas”, anunciou.
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