
Esse filho não é meu...
Sarney responsabiliza todos
Presidente do Senado, José Sarney, discursa e recebe apoio da oposição
BRASÍLIA (AE) - “A crise é do Senado, não é minha”. Esse foi o recado mais duro e a frase mais curta pronunciada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), num discurso de 33 minutos e sem apartes feito na tarde de ontem. Ao responsabilizar todos os senadores pela crise administrativa e política, Sarney conquistou o apoio dos líderes, inclusive os da oposição, para a ideia de que vai continuar a “corrigir erros” e a “tomar providências sem soltar fogos de artifícios”.
Para comprometer os senadores, ele lembrou, citando alguns dos colegas da Mesa Diretora, como Heráclito Fortes (1º secretário/DEM-PI) e Marconi Perillo (vice-presidente/PSDB-GO), ambos da oposição, que nunca toma “providências pessoais” e que gosta de discutir e tomar decisões “coletivas”.
Apesar de ter pelo menos meia dúzia de parentes e aliados políticos nomeados por meio de atos secretos, o presidente Sarney disse no discurso que não aceita ser julgado por causa da nomeação de um neto ou de uma sobrinha, o que considerou, depois de 50 anos de vida pública, “uma falta de respeito”.
Ao encerrar o discurso, Sarney considerou “uma injustiça julgar um homem como eu, com tantos anos de vida pública, com a correção que tenho de vida austera, de família bem composta, que tem prezado sua vida para a dignidade da sua carreira e (sempre votou) no sentido de avançar para melhorar os costumes da Casa.”
Descolando-se dos atos administrativos que desmoralizam o Senado, Sarney sentenciou: “Eu não vim para administrar, para saber da despensa do Senado, o que havia lá (na despensa). Eu vim, eu sou o presidente do Senado para exercer uma função política”, disse Sarney. O tom grandiloquente já havia aberto o discurso: “A instituição é maior que todos nós somados”.
A estrutura do discurso foi definida em reunião reservada na casa de Sarney, da qual participaram os líderes do PMDB e do DEM, José Agripino Maia (RN), além do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
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