terça-feira, 16 de junho de 2009

Brasileiros expulsos da Guiana Francesa



Grupo de 22 pessoas expulsas da Guiana Francesa e que desembarcou na capital amazonense



PARINTINS (AM) - O governo francês está enviando levas de brasileiros deportados da Guiana Francesa para o Amazonas. O intuito é dificultar o retorno deles para o país vizinho. No último dia 13, um grupo de 22 pessoas desembarcou na capital amazonense. Elas reclamam da falta de assistência do governo brasileiro e da deportação para o Amazonas, que sequer faz fronteira com a Guiana Francesa. Sem dinheiro e longe de casa, elas prometem retornar ao país estrangeiro de qualquer jeito.

A trajetória dos brasileiros expulsos da Guiana Francesa em território amazonense começou por volta das 11h do último sábado, 13. Após alguns dias presos em Caiena (capital da Guiana Francesa), o grupo composto por 20 homens e duas mulheres foi, finalmente, embarcado em avião do governo francês rumo a Manaus. O destino deixou os deportados confusos. O grupo embarcou no mesmo dia no barco São Bartolomeu II, com destino a Monte Alegre, no Pará. De lá, eles planejam chegar a Belém e seguir para o Amapá para, então, atravessarem a fronteira com a Guiana Francesa clandestinamente.

“Normalmente, eles nos mandam de volta pro Amapá ou para o Pará. Fazia pelo menos uns cinco anos que eles não mandavam ninguém para o Amazonas. Fizeram isso pra dificultar a nossa volta. Mas não vai ter jeito. Todo mundo quer voltar”, disse Fábio Palmeira, 25, que trabalhava como pedreiro em Caiena. A maior parte dos brasileiros que segue para a Guiana Francesa é proveniente de cidades do Pará ou Amapá, Estados mais próximos. No grupo que foi deportado para Amazonas, não havia nenhum amazonense.

Célia Castilho da Silva, 54, é viúva. Seu marido morreu em um acidente de moto na Guiana Francesa há pouco mais de sete anos. Ela vivia em Belém quando soube da morte do esposo. Foi para Caiena com a esperança de receber algum tipo de pensão, pois seu marido já morava na Guiana Francesa havia mais de 10 anos e de forma legal. Não conseguiu pensão e se viu obrigada a trabalhar como empregada doméstica na capital guianense. Ganhava 300 euros por mês, o equivalente a R$ 810. Ela diz querer voltar para, pelo menos, conseguir recuperar os pertences que deixou para trás. “Eu saí de lá sem nada. Meus móveis, minhas roupas…tudo ficou lá. Não é justo isso. Tenho uma vida lá e não posso deixá-la assim. De uma hora pra outra”, lamenta .

Perigo

A maior parte dos brasileiros que foram deportados para o Amazonas não tem mais passaporte. “Eles queimaram os meus documentos na prisão”, acusa Fábio Palmeira, referindo-se aos soldados da “Gendarmerie”, a polícia francesa. Sem documentos e proibidos de entrarem em território francês, Palmeira diz que a única alternativa para ele e seus colegas será a clandestinidade. “A gente paga uns 200 euros (R$ 540) para os guias nos passarem pela fronteira. Vamos pelo mato e depois pegamos umas canoas. É perigoso. Se nos pegam, a polícia pode atirar”, ressalta

Fonte acrítica

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