A Gazeta (MT)
João da Costa Vital
A atuação do Congresso Nacional, desde o período pós-Revolução de 1964, e de modo especial na legislatura atual, dá-nos como saldo uma soma de escândalos que, transformados em valores monetários, é simplesmente incalculável. É quase impossível saber-se o quanto de dinheiro público, fruto de impostos que todos nós pagamos, flui para os bolsos dos congressistas, em sua maioria, desonestos.
O que se tem visto, ultimamente, no nosso país, é entristecedor. Aqueles que deveriam ser os representantes e difusores da ética são os que mais a ignoram. Observa-se, escandalosamente, o uso da coisa pública como algo que lhes pertence, apropriando-se do erário de forma abusiva. São mazelas de toda ordem. Dos mensalões, passando pelo nepotismo escancarado, enriquecimento ilícito e rápido, aos abusos de passagens aéreas presenteadas aos familiares e demais pupilos de senadores e deputados federais.
Sabemos que nem todos os políticos compartilham de comportamentos tão desrespeitosos para com a população brasileira. Em todas e quaisquer atividades de atuação do ser humano, há bons, os não bons, e os geneticamente bandidos. Entretanto, o que temos observado, infelizmente, é uma quantidade infinda de parlamentares envolvidos em escândalos, afagando [com os dedos] sorrateiramente o dinheiro dos nossos impostos. E as CPIs terminam, quase sempre, em impunidade a esses bandidos de foro privilegiado, num verdadeiro acinte ao cidadão de bem.
A política tornou-se um meio de ascensão social vergonhosa, através do roubo, do dinheiro fácil. O acesso à representação política é um valor da democracia. O problema é que se admitiu o ingresso na política de muita gente de má qualidade. São verdadeiros bandidos de "colarinho branco" que veem na política um meio de ascender socialmente de forma tortuosa e fácil e, pior, enricar-se com negócios obscuros facilitados pela impunidade do cargo. A crise que se abate sobre o Congresso Nacional é emblemática, o que nos dá a desolada certeza de quanto está contaminada pela corrupção. São políticos/bandidos sem nenhum compromisso com o bem comum.
No foco da imprensa e da opinião pública estão: o mensalão, o nepotismo, apadrinhamento de aliados políticos (leia-se, por exemplo, o caso da filha de Fernando Henrique Cardoso/PSDB, Luciana Cardoso, que ocupa cargo de secretária parlamentar no Senado e sequer comparece para trabalhar), o empreguismo caracterizado neste episódio é apenas uma minúscula demonstração das mazelas, não só no Congresso Nacional, mas nas Câmaras municipais e Assembleias Legislativas estaduais. A Assembleia de Mato Grosso e Câmara municipal de Cuiabá são exemplos claros das mazelas citadas.
Os escândalos, sob o foco da imprensa têm protagonizado diariamente bandidagem do tipo: fisiologismo, clientelismo, tráfico de influências, abuso de poder econômico, mordomias, altos salários. E, ainda aparece o desvairado senador Mão Santa/PMDB-PI dizer que este é o melhor Senado da história. Santa paciência! Mão Santa é o maior "língua solta" do Senado. Fez durante o seu atual mandato [quase sete anos] 1.037 discursos (de pobre vocabulário) e apresentou só oito projetos de lei, nenhum deles aprovado. O Senado já consumiu com seus incompetentes senadores [com raras exceções], nesses quase cinco meses, cerca de R$ 620 milhões. São cerca de quatro milhões de gastos por dia. O custo/benefício é descabido pela usurpação que os parlamentares fazem com o recurso público, num país onde 80% dos trabalhadores têm renda inferior a três salários mínimos. Sem contar a lentidão, a inoperância e a omissão no trato de questões legislativas da mais alta relevância para a sociedade.
João da Costa Vital é contador, pedagogo, analista político
domingo, 14 de junho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário