quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Como usar o dinheiro do pré-sal?


A Noruega, terceira maior exportadora de petróleo do mundo, é um bom exemplo de como transformar a abundância de recursos naturais em um padrão de vida melhor para a população


A RIQUEZA VEM DO PETRÓLEO


Um bom exemplo de como lidar com a sorte geológica vem da Noruega. O país escandinavo descobriu grandes jazidas de petróleo e gás natural em 1969 e começou a produzir em 1971. Apesar de as reservas não estarem nem entre as dez maiores existentes, os poços noruegueses têm alta produtividade e hoje o país é o terceiro maior exportador de petróleo do mundo, atrás apenas da Arábia Saudita e da Rússia. E a renda do setor representa cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) norueguês. No caminho percorrido para se tornar uma potência energética, a Noruega conseguiu transformar a abundância de recursos naturais em melhores condições de vida para sua população, ao contrário de países do Oriente Médio e da África, e outros como Rússia, Bolívia e Venezuela. Enquanto muitos desses países vivem sob governos autoritários e regimes instáveis, os noruegueses desfrutam hoje de um dos mais altos padrões de vida do mundo.

O que permitiu à Noruega ser hoje uma referência neste aspecto foi a criação, em 1990, de um fundo no qual a renda oriunda da exploração do petróleo é depositada. Apenas os rendimentos são usados pelo governo, enquanto o valor bruto fica aplicado no exterior em títulos e ações com baixo risco, uma espécie de “poupança” para as futuras gerações. No fim de 2007, a conta já estava em US$ 373 bilhões, equivalente ao PIB do país.

No Brasil, o plano inicialmente divulgado pelo governo consiste em um sistema parecido, por meio do qual os rendimentos seriam usados em cinco áreas prioritárias – educação, combate à pobreza, ciência e tecnologia, meio ambiente e cultura. “Não podemos perder uma oportunidade histórica como essa”, diz Hélder de Queiroz Pinto Junior, professor do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A ideia do fundo nasce da percepção de que a aplicação dos royalties do petróleo que o Brasil já produz não foi feita da forma correta”, afirma. Nos últimos anos, inúmeros municípios brasileiros viram seus orçamentos reforçados pela renda do petróleo, mas isso não representou melhorias nos indicadores sociais, como mostra a reportagem de capa de ÉPOCA nesta semana. No âmbito federal, boa parte do dinheiro entrou no bolo do superávit primário – a economia feita pelo governo para pagar a dívida. Se o mesmo processo ocorrer com o pré-sal, a renda do petróleo pode ser desperdiçada sem trazer qualquer benefício para a população.
Fonte: ÉPOCA

Postado:Prof.Sérgio

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